Mudando de assunto, vou olhar para a questão da responsabilidade do usuário de drogas pelo atual estado de violência nas nossas cidades. Capitão Nascimento já expôs o argumento, mas acredito que há duas questões interessantes: 1) de onde vem a demanda e 2) sem tal demanda a violência cessaria?
Em relação à primeira questão tenho apenas dúvidas. Caramba, o tráfico tem um porte (controle geográfico, armas, etc) que só pode ser financiado por muita droga sendo consumida. É verdade que é a cocaína e não a maconha que financia o tráfico? Mas cadê? Como algo uma demanda tão grande pode ser praticamente invisível (a de macronha é razoavelmente visível). Alguém pesquisa/entende a “economia do tráfico” no Brasil?
A segunda indagação é contrafactual e supositória (sic.). Alguns dizem que se o tráfico acabasse, i.e. por obra de deus ou da legalização não houvesse mais demanda, a violência pioraria porque eles diversificariam seus negócios para outras atividades criminosas (o que serve de justificativa pro sujeito não parar de consumir). Pra mim isso não faz sentido. Pode ser que até ocorresse no curto prazo, mas eventualmente a “empresa” ia quebrar. Apenas um setor tão lucrativo quanto o tráfico permite tal nível de armamento, funcionamento de uma organização com tanto risco (tomada por grupos rivais, polícia), e controle. Os outros setores da atividade criminal são muito menos lucrativos e mais perigosos: bancos têm guardas, assaltar na rua envolve riscos, seqüestros são perigosos de efetuar e difíceis de gerir. Lotações (muitas no RJ são controladas pelo tráfico) são só uma forma de transformar um estoque de dinheiro sujo em um fluxo de dinheiro limpo. As milícias, que são uma resposta a violência do tráfico, tb perderiam sua razão de ser. Por isso acho que o que ocorreria seria que sem os lucros do tráfico a capacidade de efetuar tais atividades ia simplesmente minguar. Vocês não acham?