quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O trabalho do cientista...

Uma das coisas que mais me impressionou no mestrado foi a oportunidade de ter contato com a figura do 'acadêmico'... muitos afirmam com muita convicção que num centro ortodoxo como a PUC você deve se preparar para encontrar propaganda da direita e das políticas neoliberais em cada palavra do discurso; me surpreendi, contudo, com o trabalho do acadêmico como cientista, totalmente separado daquele do formulador de políticas públicas. Ainda que alguns vejam nisso mesmo ideologia, para mim não apenas não é o caso como, mais do que isso, é essa, no fundo, a real distinção entre ortodoxos e heterodoxos no Brasil... mas isso é tema para outro post.

Estou recuperando essa imagem porque o trabalho do cientista pode se dar de várias formas em Economia. As duas mais conhecidas remetem, de um lado, à construção de modelos formais que ilustram características essenciais de problemas complexos, muitas vezes para formular possíveis respostas a quebra-cabeças dados por fatos estilizados, e, de outro, ao esforço de reunir dados e abordar de maneira estatisticamente rigorosa evidências empíricas de maneira a refutar ou corrobar determinada proposição teórica que usualmente propõe mecanismo por detrás de fatos estilizados.

Pois bem, uma terceira forma, e para mim a mais difícil e genial, está em encontrar os próprios fatos estilizados. Muitas vezes, os dados estão disponíveis para qualquer um, mas somente uma mente brilhante é por vezes capaz de identificar padrões e sugerir sentido onde há aparente dados desordenados. Ainda em outros casos, identifica-se que um fato tido por estilizado na verdade não é suportado pelos dados disponíveis, sem que uma única regressão tenha sido rodada. Há pelo menos dois exemplos de economistas geniais que dedicam seu trabalho a esse tipo de atividade, ambos da universidade de Cambridge, UK: Gabriel Palma, e Ha-Joon Chang.

O segundo tem produzido relatos históricos impressionantes sobre os verdadeiros fatos estilizados das políticas industrial e comercial dos países desenvolvidos ao longo de sua trajetória de desenvolvimento. O primeiro tem trabalhado com estratégias de desenvolvimento e fundamentos das crises financeiras. Como em meu próximo post pretendo resumir o relato impressionante e diferente daquilo que tudo que já foi publicado até aqui sobre as origens da crise de 2008, de autoria de Palma, neste vou apenas dar o gostinho com um trabalho seu sobre estratégias de crescimento:


Vertical axis: percentage of exports in 1971 of products that had been ‘demand-dynamic’ in OECD imports between 1963 and 1971 (first observation); and in 2000 of those products that had been ‘dynamic’ between 1990 and 2000 (second observation; ‘dynamic’ products are simply these that increased their share in OECD imports during these periods).

Horizontal axis:
percentage of exports in which the respective region or country gained market shares in OECD imports (is ‘competitive’) between 1963 and 1971 (first observation), and between 1990 and 2000 (second observation).

Assim:
- Quadrante 1: ‘uncompetitive’ country / ‘non-demand-dynamic’ export-product;
- Quadrante 2: ‘competitive’ country / ‘non-demand-dynamic’ export-product;
- Quadrante 3: ‘competitive’ country / ‘demand-dynamic’ product;
- Quadrante 4: ‘uncompetitive’ country / ‘demand-dynamic’ product.

A partir de resultados econométricos, Palma discute que "the upward movement from quadrant ‘2’ to quadrant ‘3’ -- i.e., to be able to change one’s export bundle towards more demand dynamic products -- is the crucial one. However, it could be argued with reason that a strong rightward movement (from quadrant ‘1’ to ‘2’; i.e., to be able to increase market shares in current ‘non-dynamic’ exports) may well be some sort of prerequisite for the upward movement. In fact, first- and second-tier NICs were well into high-competitive levels in their ‘non-quality’ exports before starting their upward movements."

Ainda, complementa, "even if that were the case, obviously the key question is whether a strong rightward movement is a necessary as well as a sufficient condition for the upward movement from ‘2’ to ‘3’. From this perspective, the most crucial trade and industrial policy issue for DCs is whether there are ‘endogenous’ market forces in operation in quadrant ‘2’ that would lead DCs (at least once they have moved well into quadrant ‘2’ terrain) to increase their share of exports
consisting of products that had become ‘demand-dynamic’ in OECD imports (leading them to move from quadrant ‘2’ to ‘3’). Or whether market forces (of the static Ricardian comparative advantage type) would, at best, continue to lead them to become more and more ‘competitive’ in products that may well become more and more marginalised (in value terms) from world markets (due to low income elasticity of demand in the world market). In fact, especially in commodity markets, excessive ‘competitive’ struggle for market shares by DCs often lead to a selfdefeating fallacy of composition problem."

Com dados bastante simples, Palma veicula uma análise bastante sofisticada sobre estratégias de desenvolvimento. Exemplo de um bom trabalho de cientista, ainda que da vertente menos usual.

51 comentários:

Leonardo Monasterio disse...

O Palma me parece ok. Eh um cara serio que leu de tudo. Jah o Chang gosta de jogar para a plateia protecionista.
Falando em plateia, eu o vi tomar um pau tremendo em uma apresentacao. Ele entrou numa de bater no World Bank, como se a instituicao fosse o demo encarnado e nao se tocou que o Michael Woolcock estava no publico. Este pulverizou os argumentos do Chang. Foi feio.

Anônimo disse...

O Palma é um intransigente crítico da ideologia escondida na presunta neutralidade da economia neoclássica. Isso está explícito em praticamente qq trabalho dele - e no fato de que ele será professor visitante do novo curso de pós-graduação da UFRJ, ao lado de Tavares, Belluzzo, etc, etc.

A diferença entre ele (CEPALino de carteirinha) e Celso Furtado (idem) é que o poder de abstração deste se dava pela observação do processo histórico do desenvolvimento, enquanto aquele manipula os dados para chegar às mesmas conclusões. Quais sejam de que é necessário controlar câmbio e outras heresias do gênero.

Tiago Caruso disse...

Lichand,

Gostei dos 2 primeiros parágrafos, mas não consigo entender o que o que você vê de tão genial no trabalho de compilação de dados.

Na verdade, para mim, tudo o que você descreveu como a terceira forma de se fazer ciência já estava contido na segunda.

Por favor, me explique.

Guilherme Lichand disse...

Prezado Anônimo,

"O Palma é um intransigente crítico da ideologia escondida na presunta neutralidade da economia neoclássica"; você está correto, uma parte do trabalho dele é mais filósofica, em especial indo na direção de como essa suposta carga ideológica teria permitido uma concentração brutal de renda nos EUA mesmo sob um regime amplamente democrático, aguarde mais detalhes no meu próximo post... já sobre manipulação dos dados, não poderia discordar mais: os dados dos trabalhos dele estão sempre referenciados a bases disponíveis a qualquer um, muitas delas online.

Prezado Caruso,

os dois primeiros trabalhos não existem sem esse terceiro. Se você reparar, fiz referência aos esforços teóricos e empíricos sempre partindo de fatos estilizados... identificar esses fatos não me parece nada trivial; no exemplo que eu trouxe do Palma, de que pode existir uma sequência para que os países consigam migrar da exportação de produtos pouco dinâmicos tecnologicamente e com baixo potencial de mercado para produtos de maior intensidade tecnológica e mais dinamismo de demanda, não parece nada óbvio (embora os dados estivessem ali...) que essa sequência deveria se verificar, e sua percepção nos dados suscita uma série de questões interessantes de políticas públicas, algumas levantadas por ele.

Daniel Coelho disse...

Eu li tão falado livro do Chang e fiquei chocado com a leviandade com que ele chega em sua conclusão baseado em premissas cheias exceções (que ele mesmo reconhece) e nem sempre consistentes. Pior que em alguns centros brasileiros a conclusão do Chang virou bordão de autoridade.

Quanto ao Palma, eu não tenho uma opinião, mas fiquei interessado nesse trabalho citado. Qual a referência completa desse texto?

Anônimo disse...

Não, eu não quis dizer que ele expreme os dados, apenas que os manuseia.

Anônimo disse...

espreme...

Guilherme Lichand disse...

PALMA, G. (2006) "Growth after Globalisation: a ‘Structuralist-Kaldorian’ game of musical chairs?", background paper for the World Economic and Social Survey 2006

Se tiver dificuldade de encontrar deixe o e-mail que eu envio.

Sobre o Chang, estou gostando bem mais do "Good samaritans" do que do "Kicking away the ladder"... os argumentos estão mais sólidos e mais organizados. Ele é um especialista em Sudeste Asiático, tendo desmentido a maioria dos 'fatos estilizados' que seriam responsáveis pelas altas taxas de crescimento a partir de 1970; e para mim as evidências que ele traz sobre o protecionismo histórico norte-americano e inglês são bastante claras... é preciso separar o joio do trigo.

Caio Machado disse...

Caros (em especial Rafael M),

Quero aqui relembrar comentário por mim enviado para o post do Rafael M. no dia 23 de janeiro.

"Quando disse para aguardarmos os números de janeiro da PME, me referi à sua colocação: "A taxa de desemprego caiu em meio a uma desaceleração da economia.". Quis salientar que o mercado de trabalho, principalmente a PME, apresenta defasagem em relação à situação corrente do nível de atividade. Além disso, a taxa de desemprego NÃO caiu em meio a uma desaceleração da economia; ela caiu devido à fatores sazonais e metodológicos. Como já disse anteriormente; feito o ajuste, temos aumento da taxa em dezembro."


Dito e feito, aguardei a taxa de janeiro e cá esta ela em 8,2% da PEA. Em termos dessazonalizados, ela subiu para 8,6%.

É o que eu disse, os dados do Caged e a conjuntura econômica não deixavam dúvidas de que o desemprego aumentaria de forma acentuada, e que o número de dezembro, se descartado o ajuste sazonal, era enganador.

Esclarecido agora Rafael?

Obs: Em relação ao IPCA-15, nada de surpresas. Número, em linha com as expectativas, veio pressionado pelo fator SAZONAL da Educação. Nota-se que o Núcleo de Médias Aparadas com Suavização desacelerou-se de 0,43% em janeiro para 0,35% em fevereiro.
Apesar de acreditar que a economia brasileira está se recuperando de forma marginal, e que apostas de crescimento abaixo de 1,5% me soam exageradas, afirmo com todas as letras que há muito espaço para o BC cortar os juros. Novo corte de 100 bps a vista, hehe.

Abs
Caio Machado

Tiago Caruso disse...

Maquiar os dados não é uma atitude exclusivamente heterodoxo. Acontece na física, na química e em economia ortodoxa.

Como caso recente temos o Levitt (aquele mesmo do Freakanomics) que foi descoberto com resultados maquiados mais de uma vez. Hoje ele perdeu quase todo o prestígio obtido.

Em suma gente picareta existe em qualquer meio. Seria melhor se os heterodoxos as punissem no lugar de idolatrá-las.

Tiago Caruso disse...

"para mim as evidências que ele traz sobre o protecionismo histórico norte-americano e inglês são bastante claras... "

Lichand,
vamos supor que essas "evidências" são incontestáveis. EUA e Inglaterra se desenvolveram fazendo uso do protecionismo. E daí?

A história só influencia o futuro na medida que nos afeta no presente. Os países desenvolvidos hoje em dia pregam medidas diferentes das por eles adotas? Pois é, o mundo mudou.

Sem falar nas inúmeras tentativas frustradas de industrialização baseada no protecionismo.

Anônimo disse...

Mudando um pouco de assunto:

teve falcatrua no Concurso do IPEA, chamaram um professor da Unicamp para a prova oral que não ficou entre os 30 primeiros na área de Economia Internacional.

Anônimo disse...

Ao invés de ler o Chang, leia o List. Muito melhor.

Rafael M disse...

Um biscoito scooby para o Caio, que acertou a taxa de desemprego de janeiro.

Outro para o Banco Central, que tem consegui manter as expectativas de inflação próximas da meta.

Nenhum biscoito scooby para mim.

Guilherme Lichand disse...

"A história só influencia o futuro na medida que nos afeta no presente. Os países desenvolvidos hoje em dia pregam medidas diferentes das por eles adotas? Pois é, o mundo mudou."

Sem falar nas inúmeras tentativas frustradas de industrialização baseada no protecionismo."

Legal, seu apanhado geral permite concluir que (i) proteger sua indústria não é condição suficiente para crescimento, e que (ii) livre comércio não é condição necessária para crescimento... agora, se um país precisa crescer, essas duas conclusões dizem muito pouco em termos de políticas públicas.

Não estou dizendo que os estudos disponíves são suficientes: para mim, é necessário olhar em detalhe o que fez funcionar os casos de sucesso e que escolhas erradas determinaram os fracassos. O que não dá para concluir é que o tema não seja relevante ou que simplesmente o mundo mudou (com a emergência do GATT e da OMC) e que não há mais espaço para política industrial.

Ortodoxos em geral tem medo desse termo, 'política industrial'. Acham que as ineficiências estáticas e os problemas associados a grupos de pressão mais que superam o crescimento potencial associado a essa estratégia. Não é nada claro que isso seja sempre verdade, ou que não seja possível identificar condições sob as quais os benefícios superam os custos com maior probabilidade.

Anônimo disse...

Caruso,

Pode dizer quais os estudos em que o Levitt maquiou os dados? Ou alguns exemplos...


Obrigado.

H.

Daniel Coelho disse...

Guilherme Lichand,

Acabei de ler esse artigo do Palma. A parte do gráfico que vc usou no texto é interessante, mas o resto do texto é frustrante. Ver aquele monte de gráficos de barras 3D já me deixou bem cético, mas o duro mesmo é um artigo que faz regressão de crescimento sem citar nem uma vez o problema de endogeneidade das variáveis.

O grande problema mesmo é que o Palma é refém das idéias de economistas defuntos (estruturalismo e de Kaldor). Não me conformo que ele cite Easterly, W (2001) (The Elusive Quest for Growth: Economists’ Adventures and Misadventures in the Tropics)como uma mera referência para "critical analyses of this type of cross-country growth econometrics", beira a má fé do autor.

Recomendo que vc leia o livro do Easterly e os trabalhos do Justin Yifu Li, especialmente o Development and Transition:Idea, Strategy, and Viability (2007).

Guilherme Lichand disse...

- Já li o livro do Easterly, uma das piores obras com que já tive contato... não só é superficial como misleading em muitos casos, mas OK para motivar o tópico num nível de graduação.

- Uma dificuldade central dessas referências heterodoxas é, sem dúvida, conciliar o bom trabalho historiográfico com uma abordagem econométrica competente... fica o desafio para um lado e para o outro.

- Vou dar uma olhada nesse Li (2007), tks pela referência.

Ricardo Leal disse...

Sobre protecionismo britanico tem uns textos interessantes do John Nye sobre como a média das tarifas britanicas eram maiores do que as francesas, acho que trabalha com o periodo pré-Corn Laws. No entanto, enquanto as tarifas francesas podiam ser na média mais baixas, elas eram generalizadas. Enquanto que as britanicas eram muitas vezes aplicados a um numero de produtos menores só que mais altas. Muitas dessas tarifas eram contra a propria frança (mas nao somente), com o qual o reino unido estava em guerra durante o periodo da rev. francesa e napoleonico. assim, a politica tarifaria tb foi usada como arma de guerra. De acordo com Nye, isso teria levado os britanicos a consumirem mais cerveja, gin e whiskey ao invés do vinho frances barato, tendo efeitos até os dias de hoje (para o horror do Caruso). Depois que as guerras acabaram os grupos de pressao se estabeleceram e mantiveram a protecao.

Anônimo disse...

Nao que eu queira perder muito tempo batendo em um espantalho ruim como o Chang, mas o argumento dele sobre protecionismo tem mais furos que um queijo suico. Para comecar o segundo pais com tarifas mais altas no seculo XIX era o Brasil (depois dos EUA), facil ver entao que tarifas altas nao eram nenhuma politica suficiente para a industrializacao, ne?

Mas o argumento eh pior ainda, pois o custo de transporte em muitos paises do mundo tambem funciona como uma tarifa, e qualquer ser humano com QI acima de 50 pode notar que lugares/paises com localizacao privilegiada, portanto com custo de transporte mais barato, portanto com MENOS protecao natural, sao exatamente os lugares/paises mais desenvolvidos. Se tarifas fosse qualquer coisa diferente de um peso morto que diminui renda e crescimento, esse fato estilizado nao existiria.

Chang eh muito ruim, caro Lichand, se voce nao consegue notar os furos nos argumentos dele, eu sugiro que voce comece a postar com pseudonimo, ok?

"O"

Anônimo disse...

Finalmente, nao entendi o que pode ser aprendido sobre o grafico do Palma que voce postou. Afinal, sem uma teoria ou evidencia que os setores dinamicos serao os mesmos daqui ha 20 anos, nos nao aprendemos nada em termos de politica.

"O"

Guilherme Lichand disse...

"facil ver entao que tarifas altas nao eram nenhuma politica suficiente para a industrializacao, ne?"

se puder acrescentar algo menos óbvio será mais produtivo para a discussão... o que se aprende a partir do trabalho do Ha-Joon é que as economias desenvolvidas, em muitos casos, se apoiaram no protecionismo para desenvolver indústrias que consideravam chave; o exemplo mais claro é o Japão, que tinha uma indústria de automóveis pífia e incapaz de fazer frente aos veículos americanos no próprio mercado japonês (ver Chang, 2009), e que hoje é dominante mesmo no mercado norte-americano (e muito antes da crise, pelo menos desde 2003, ver reportagem do Valor Econômico da semana passada sobre a situação financeira da GM e da Chrysler).

Que o protecionismo não é condição suficiente e talvez nem necessária para o desenvolvimento não é surpreendente... de outro lado, nenhum estudo sobre abertura comercial conseguiu fornecer evidências conclusivas (do ponto de vista teórico ou empírico) de que mais abertura gera maior crescimento.

Meu ponto é de que a abordagem está errada: classificar um país como 'mais aberto' ou 'mais fechado' ao comércio é impor uma homogeneidade ilusória. O olhar deve ser setorial para perguntar, por exemplo, como o comportamento das empresas (investimento em K, em P&D, fontes de financiamento, localização, tipo de contratação) se altera com a abertura, e se há padrões homogêneos de resposta conforme algumas características setoriais, como retornos de escala e intensidade tecnológica. Devo começar a trabalhar no tema talvez ainda em 2009.

Somente retornando ao Chang, se você ler algo mais do que a contracapa do livro dele podemos voltar a conversar.

Sobre Palma, recomendo que você leia o artigo, a que fiz referência em comentário acima. Mas para dar uma idéia geral, o que o autor destaca é a direção da dinâmica da pauta de exportação das economias, que parece apresentar um padrão 'anti-horário' no diagrama dele. Caso esse padrão corresponda de fato a algo mais profundo (como eu ressaltei, o trabalho dele é encontrar os fatos estilizados, e não fazer teoria), ele discute algumas implicações de política associadas.

Abs

Tiago Caruso disse...

"... de outro lado, nenhum estudo sobre abertura comercial conseguiu fornecer evidências conclusivas (do ponto de vista teórico ou empírico) de que mais abertura gera maior crescimento."

é uma afirmativa leviana e facilmente rebatida.
Envio abaixo uma série de artigos que discordam de você. Tem Economic Journal, JEL, JEG e um sumário das evidências. Pick you choise.


http://www3.interscience.wiley.com/journal/119104969/abstract

http://www3.interscience.wiley.com/journal/118750285/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0

http://www.springerlink.com/content/q78431323m162074/

Tiago Caruso disse...

Ricardo,

todo protecionismo gera alguma aberração. As "Corn laws" geraram a cidra. Fato que por si só já deveria bastar para condenarmos esse tipo de política.

Guilherme Lichand disse...

Caruso,

conheço todos esses artigos a que você fez referência, minha mongrafia foi sobre abertura e crescimento... a evidência apresentada em todos esses artigos é vergonhosamente DEMOLIDA por Rodriguez e Rodrick em TRADE POLICY AND ECONOMIC GROWTH:
A SKEPTIC'S GUIDE TO THE CROSS-NATIONAL EVIDENCE.
Resumidamente, não há evidência (positiva ou negativa) dos efeitos de maior abertura sobre crescimento - da forma como abertura é compreendida nesses estudos. Minha crítica à abordagem está em comentário anterior.

Tiago Caruso disse...

Vou além. Continuo achando balela essa história de que encontrar os fatos estilizados é um nobre trabalho. Para mim isso é trabalho de PIBIC.

Se os fatos estilizados são controversos, não são estilizados. "Mentes brilhantes que encontram fatos estilizados" me cheira a dogmatismo.

Anônimo disse...

"de outro lado, nenhum estudo sobre abertura comercial conseguiu fornecer evidências conclusivas (do ponto de vista teórico ou empírico) de que mais abertura gera maior crescimento."

Como nao? E o experimento natural de Cuba? E o experimento natural da China maoista? E o experimento natural da India se abrindo a partir dos anos 80? Leste Europeu nos ultimos 20 anos?

Voce nao sabe do que estah falando. Repito, Sr. Lichand: voce nao sabe do que estah falando.

Existe imensa evidencia empirica e argumentos teoricos que abertura comercial aumenta a renda real de qualquer pais abrindo. Alem de obvios ganhos de crescimento transicional para os paises que se abrem.

"O"

Anônimo disse...

"a evidência apresentada em todos esses artigos é vergonhosamente DEMOLIDA por Rodriguez e Rodrick em TRADE POLICY AND ECONOMIC GROWTH:
A SKEPTIC'S GUIDE TO THE CROSS-NATIONAL EVIDENCE."

Nao foram demolidos nada. O artigo do Rodrik-Rodriguez tem uma tonelada de problemas tambem. Alias, eles conseguiram publicar em algum lugar? Se o artigo saiu em 1999, e ainda nao foi publicado, sugiro que voce tente le-lo com mais atencao e cuidado.

Agora para voce comecar a se reciclar, pode dar uma olhada nisso:

Licao #1: Imported Intermediate Inputs and Domestic Product Growth: Evidence from India (NBER 14416) sobre os efeitos da liberalizacao comercial na India.

Depois eu mando outras licoes.

"O"

Anônimo disse...

Quanto ao Chang, li mais do que a aba do livro sim.

O argumento dele eh que como o mundo nao mudou nada desde o seculo XIX, como nao houve nenhuma queda nos custos de transporte e comunicacao, nenhuma revolucao nas formas de organizacao da producao, nem nenhuma mudanca no ambiente politico, os paises pobres podem seguir o mesmo caminho que EUA e Inglaterra seguiram, isto eh, protecao, escravidao, colonialismo, limitacao do sufragio, trabalho infantil, Poor Laws, poder politico hereditario deveriam ser instrumentos de politica disponiveis aos paises pobres para reproduzirem a trajetoria dos EUA/Inglaterra, mas somente porque os ricos sao hipocritas, os paises pobres sao aconselhados a nao seguir este caminho.

Isto tudo traz para mim uma indagacao: a esquerda brasileira gosta do Chang porque eh estupida demais para entender os argumentos dele, ou porque realmente gostaria de abolir o sufragio universal, a transparencia, as leis trabalhistas, todos os direitos humanos conquistados no seculo XX?

Finalmente, Lichand, vou ser repetitivo: a premissa basica da visao do mundo do Chang eh que crescer no mundo onde existem os paises ricos eh o mesmo processo que os paises ricos enfrentaram. Isto eh obviamente errado: os paises pobres de hoje tem uma taxa de crescimento economico bem superior aa taxa de crescimento economico dos paises ricos de hoje no seculo XIX. Por que um pais pobre hoje seguiria politicas que produziram taxas de crescimento tao baixas quando eles podem se abrir unilateralmente e absorver a tecnologia e o capital externo e crescer a 4+% ao ano por varias decadas?

"O"

Guilherme Lichand disse...

"Como nao? E o experimento natural de Cuba? E o experimento natural da China maoista? E o experimento natural da India se abrindo a partir dos anos 80? Leste Europeu nos ultimos 20 anos?"

A não ser que você seja tão fã do Amemyia para fazer econometria com apenas 1 ponto, nada disso que você chamou de experimento natural é evidência útil seguindo a abordagem tradicional... são, por outro lado, excelentes oportunidades para uma análise setorial, no nível das empresas.

Essa sua referência a "experimento natural" me preocupou um pouco e me faz querer esclarecer um ponto: o problema central dessa literatura empírica não é o de simultaneidade (crescimento 'causa' abertura?), mas o de indeterminação (Quine, 1950). Quando se rejeita uma hipótese, não é claro se o que está sendo rejeitado é a causalidade de abertura sobre crescimento ou a própria definição de abertura utilizada no estudo.

Ainda sobre problemas empíricos, todos os estudos que utilizam essa noção agregada os têm, mas um menos do que outros, não há dúvida. Consigo pensar em pelo menos dois motivos claros para que o Rodriguez-Rodrik não tenha sido publicado, entre os quais desautorizar a equipe editorial dos journals em que os artigos analisados foram publicados, e a tendência da quase totalidade da profissão a valorizar artigos que confirmam proposições, ao invés de rejeitá-las.

Um último ponto sobre problemas empíricos: o artigo que você sugeriu parece interessante, mas é bastante claro para quem trabalha com Organização Industrial hoje que estimar função de produção utilizando formas reduzidas é um caso perdido, por causa da endogeneidade intrínseca em função da produtividade não observada, de um lado, e da perda de variação do insumo capital ao diferenciar os dados, de outro (Griliches e Mairesse, 1998). A abordagem ideal para identificação é utilizar modelos estruturais.

Mas não estou escrevendo para provar que sei do que estou falando ou por vaidade intelectual; este é meu último comment sobre o tema. Escrevo para fazer um ponto para os que trabalham com pesquisa de alto nível em economia: é necessário estudar de que modo política comercial afeta desempenho, uma vez que a literatura até aqui não produziu proposição empiricamente falseáveis.

Finalmente, sobre Chang, não me importo realmente sobre porque a esquerda gosta dele, mas sua leitura das conclusões dele são incorretas, e digo isso com convicção porque estive com ele em janeiro deste ano, no LAPORDE. Se tem dúvidas sobre a minha afirmação que segue, cheque o Valor Econômico da segunda semana de Janeiro: Chang NÃO afirma que os países hoje subdesenvolvidos deveria replicar exatamente o que fizeram os hoje desenvolvidos, até porque sabe que isso não é possível, diante de organizações como GATT e OMC que limitam o policy space para o uso de políticas comercias. O que ele fundamentalmente acrescenta ao saber econômico, na minha visão, é que não há evidências de que os países hoje desenvolvidos tenham crescido sem se utilizar de protecionismo e respeitando sempre direitos de propriedade, por exemplo. É uma contribuição para os fatos estilizados, mas se você quiser fazer um escândalo sobre a ofensa disso aos ideais libertários, vou entender... alguns economistas acham realmente difícil separar seus ideais das suas idéias. Eu chamo isso de má ciência.

Rafael M disse...

Na boa, dizer que um artigo que critica outros artigos não foi publicado porque seria uma "desautorização" do board de outros periódicos é muuuuuutio forçado.

Eu tô cansado de ler artigos destruindo outros artigos.

Não é publicado porque é ruim mesmo.

Anônimo disse...

"Escrevo para fazer um ponto para os que trabalham com pesquisa de alto nível em economia: é necessário estudar de que modo política comercial afeta desempenho, uma vez que a literatura até aqui não produziu proposição empiricamente falseáveis."

Licao #2:
Antoni Estevadeordal, Alan M. Taylor
NBER Working Paper No. 14264
"Is the Washington Consensus Dead? Growth, Openness, and the Great Liberalization, 1970s-2000s"

Neste artigo Estevadeordal e Taylor mostram que liberalizacao comercial dentro da rodada Uruguay acelerou o crescimento dos liberalizantes relativamente aos nao-liberalizantes (recalcitrantes?).

Segue lendo, voce pode acabar se tornando um economista de primeira.

"O"

Anônimo disse...

"Na boa, dizer que um artigo que critica outros artigos não foi publicado porque seria uma "desautorização" do board de outros periódicos é muuuuuutio forçado."

Ele deve pensar que o mundo eh a Unicamp/UFRJ. Dizer que paper com resultado negativo nao eh publicado tb eh ridiculo.

Primeiro, o Sachs-Warner foi publicado no BPEA, que nao eh uma publicacao com peer review (existe uma secao de comentarios depois de cada artigo), mas sim um proceeding de uma mesa redonda.

Segundo, as ideias centrais dos papers que o Rodrik "desancou" foram confirmados por pesquisa subsequente com dados melhores etc.

"O"

Anônimo disse...

"O que ele fundamentalmente acrescenta ao saber econômico, na minha visão, é que não há evidências de que os países hoje desenvolvidos tenham crescido sem se utilizar de protecionismo e respeitando sempre direitos de propriedade, por exemplo. É uma contribuição para os fatos estilizados, mas se você quiser fazer um escândalo sobre a ofensa disso aos ideais libertários, vou entender..."

Entao ele nao acrescenta nada, pois eh de conhecimento geral na literatura que os EUA foram protecionistas no seculo XIX. Assim como o Brasil tambem.

"A não ser que você seja tão fã do Amemyia para fazer econometria com apenas 1 ponto, nada disso que você chamou de experimento natural é evidência útil seguindo a abordagem tradicional... "

Nao sei qual o seu ponto aqui. Voce estah dizendo que nao se pode aprender sem econometria? Discordo veementemente. Econometria serve para muita coisa, mas nao eh panaceia nem coringa. Quanto aa evidencia gerada pelos experimentos naturais de Cuba, China maoista, leste europeu pos-Muro, India-pos anos 80, eh muito (ou como diria o Rafael: muuuuito...) mais convincente que qualquer regressao de crescimento com variaveis endogenas etc.

"O"

Anônimo disse...

Mudando de assunto:

Quem sao os mais talentosos macroeconomistas brasileiros da geracao mais nova (turma de menos de 35 anos)? Existe algum?

Tiago Caruso disse...

Lichand,

você acusa as pessoas de fazerem má ciência. Entretanto quando criticam o fato de que o único artigo no qual você baseia suas crenças não ter sido publicado, você se defende dizendo que isso iria "desautorizar a equipe editorial dos journals". Ou seja, você acaba de usar o argumento de que as pessoas que pensam diferente de seus pares são mau-intencionadas, o que é ridículo. Agora eu pergunto: quem está sendo ideológico?

Tiago Caruso disse...

"O"

concordo com suas considerações. Na verdade, eu acho que você estendeu o que eu disse num dos primeiros comentários. Que a história só influencia o futuro na medida que ela se relaciona com o presente. Mesmo que a análise histórica do Chang esteja correta, o mundo mudou.

Anônimo disse...

"eu acho que você estendeu o que eu disse num dos primeiros comentários. Que a história só influencia o futuro na medida que ela se relaciona com o presente. "

Isso mesmo.

Guilherme Lichand disse...

já que é um side-topic, vou me permitir comentar com o tipo de conteúdo de que eu sou mais fã: evidências que dão suporte a uma afirmação que eu fiz. Eu disse que a grande tendência na profissão é produzir resultados que corroboram, ao invés de refutar proposições.

- Ver CANTERBERRY, E.R., BURKBARDT. R.J. "What Do We Mean by Asking Whether Economics Is a Science". In. Why economics is not yet a science. Edited by Alfred S. Eichner. Armonk, N.Y. : M.E. Sharpe, 1983. O texto examina 542 artigos empíricos econômicos, de 4 publicitações especializadas em economia entre 73-78, indica que apenas 3 tentaram falsear hipóteses, o restante aceita as hipóteses propostas.

- Para ser bem completo, obviamente uma tendência verificada no campo não significa que isso ocorra em cada research topic. Uma exceção é notada por COZZARIAN, B.P., GILMOUR, B.W. "A Methodological Evaluation of Empirical Demand Systems Research". In.: Canadian Journal of Agricultural Economics. Jul, 15, 2005, p 297-316. "(...) A survey of the empirical demand systems literature has been assembled that includes 66 articles from 19 separate journals. (...) The results indicate that the bulk (67%) of demand systems research is implicitly falsificationist (for at least part of the research program). The remainder of the research program follows a conventionalist doctrine."

Rafael M disse...

Hall (1978), Flavin(1982), Mankiw e Campbell (1989) rejeitam, usando metodologias diferentes, a hipótese de que o consumo segue um randon walk.

Outros artigos mais recentes rejeitam a hipótese novamente, usando dados ao nível das famílias ao invés de dados agregados.

Dezenas de artigos rejeitam que preços de ativos sigam randon walk (e outras formas de eficiência de mercado).

Alguns artigos rejeitam que o preço futuro é umaprevisão não-viesada do preço spot (uma forma de eficiência do mercado).

Você mesmo acabou de citar vários artigos que rejeitam que abertura comercial aumente crescimento.

Acho que já são bem mais do que 3. Então ou a profissão mudou desde a década de 70 ou esses sujeitos aí escolheram a dedo quais periódicos analisar.

Tiago Caruso disse...

Que tipo de métrica lunática é essa para ver se se trata de ciência? Refutar ou aceitar uma hipótese é só uma questão de como ordenamos a hipótese nula e alternativa. Nada mais.

Tiago Caruso disse...

Caso artigo se propusesse a testar se estudos se propõem a falsear teses estabelecidas e chegasse a mesma conclusão isso tampouco diria que não se trata de ciência. Pelo contrário, é um indício de que há preclusão em economia que as teses estabelecidas estão certas.

Já pensou se a grande maioria dos estudos mostrasse que as teses estão erradas? Ai sim seria difícil crer que há algo de científico em economia.

Anônimo disse...

Interessante que voce faz esse comentario, pois acabei de resubmeter a um "top journal" um artigo em que o editor exigiu que eu reescrevesse "framing" o resultado como um teste de hipotese, isto eh, definir exatamente qual a hipotese nula, qual a hipotese alternativa etc.

Diga-se de passagem, este artigo rejeita a hipotese nula...

"O"

Guilherme Lichand disse...

Não estou me posicionando sobre Economia ser ou não uma ciência, acho essa discussão vazia...

"é um indício de que há preclusão em economia que as teses estabelecidas estão certas." - acho que esse comentário merece até um post novo sobre a superação do positivismo na filosofia da ciência, então fica para a próxima oportunidade.

"O", você tem sido muito eficiente em apresentar um cisne negro para confirmar que nem todos os cisnes são brancos. Mas você está com alguma dificuldade lógica com o termo tendência ou maioria.

Rafael, vou procurar algum estudo mais recente, mas não me parece que a profissão tenha mudado. Ah, e que hipótese é a nula e qual a alternativa não são mera questão de vocabulário, Caruso, você estudou estatística... lembre-se de tamanho vs. poder do teste.

Anônimo disse...

""O", você tem sido muito eficiente em apresentar um cisne negro para confirmar que nem todos os cisnes são brancos. Mas você está com alguma dificuldade lógica com o termo tendência ou maioria."

Discordo. O problema eh com voce.

Posso dizer com conhecimento de causa que existe uma grande simpatia por artigos criticando o Consenso de Washington na academia. O Dani Rodrik eh editor do Review of Economics and Statistics. Eu jah tive parecer "bolivariano" quando submeti artigo para o QJE cujo editor era entao o Barro (!). Se voce acha que um artigo nao vai ser publicado porque vai contra resultados anteriores sobre comercio e crescimento, voce nao tem a minima ideia do que voce esta falando.

"O"

Tiago Caruso disse...

Eu, assim como você, estudei estatística e sei que rejeitar ou aceitar a hipótese nula não quer dizer nada sobre um suposto conservadorismo ou tendenciosidade dos pesquisadores, como você sugeriu.

De qualquer forma, acho que essa discussão já não está dando em nada.

Lei de Godwin imperando...

Guilherme Lichand disse...

ahaha com certeza!

a única hipótese que eu estou querendo rejeitar no momento é de não entregar o paper de verão até dia 13

Asahy disse...

Palmas para o Lichand que, certo ou errado, se esforça para manter a discussão saudável até o final, sem alfinetadas desnecessárias.

Vaias para o Tiago Caruso por deixar transbordar uma arrogância e um pedantismo que não cabem à discussão aqui. Não sei como você é pessoalmente, mas pela sua escrita você parece ser uma pessoa insuportável de se discutir. Só o fato de pegar erros de português (ou digitação) para tentar tirar a credibilidade dos outros (em outros posts, não nesse) já é um pouco baixo demais. É a mesma coisa que descartar todas as suas opiniões só porque escreveu "mau-intencionadas" e "pick you choise", além de não saber muito bem o que é a Lei de Godwin. É um pouco injusto, não acha?

Anônimo disse...

"a única hipótese que eu estou querendo rejeitar no momento é de não entregar o paper de verão até dia 13"

Boa sorte!

"O"

Tiago Caruso disse...

Asahy

Como política do blog, a gente tenta manter o "tip-for-tat". Zomba dos erros de português (muito embora eu os cometa também) de pessoas que zoam a gente, e responde com educação àquelas que fazem comentários educados, mesmo que pessoais e sem conteúdo econômico, como você.

Mas em geral você está certo, Lichand é bem menos pedante do que eu. Só não acho pertinente dizer que não sei direito o que é a lei de Godwin. Acha usa isso bastante como piada interna aqui, tanto que ele entendeu.

Asahy disse...

Reforçando o que eu disse, nao sei como voce é pessoalmente. Talvez parte dessa "arrogância" e "pedantismo" acabasse virando "sarcasmo", mas enfim. Sou um pouco radical em relação a comentários maldosos, mas essa sua resposta educada já ajuda um pouco.

A partir de agora vou me esforçar mais para cavar através das alfinetadas e achar os argumentos.