sábado, 17 de janeiro de 2009

Agenda 2009: Cruzando a tormenta

Convido os colegas do blog a opinarem sobre quais os eventos deverão marcar 2009.

Será um ano interessante para os defensores e críticos da ortodoxia na gestão da política macroeconômica. Com a desaceleração global, poderemos avaliar quão resistentes são os pilares: 

-Regime de câmbio flutuante

-Meta de inflação 

-Responsabilidade fiscal.

E mais do que isso, avaliar se proporcionaram um ambiente mais saudável para a economia, fornecendo estrutura para a recuperação futura. 

Que venha a tormenta em 2009! 

15 comentários:

Rafael M disse...

Responsabilidade fiscal nunca existiu, né? Eu acho que câmbio flutuante não muda e nem deve mudar. O único dos três que eu acho que merece discussão é o regime de metas, mas a princípio acho que faz mais bem do que mal.

Anônimo disse...

Adiciona mais um item aí:
Política monetária baseada em Curva de Phillips. Com a inegável evidência de que a crise se originou na inflação de ativos, como incluir essa questão no famoso trade-off desemprego-inflação?

Victor disse...

Rafael :

O regime de metas é um instrumento flexível o bastante para ser usado nesse período de crise. Se respeitado, e isso só saberemos com o desenrolar dos fatos, não teremos problemas com preços (tanto inflação quanto deflação).

Sobre o ponto da responsabilidade fiscal, é um ponto a se acompanhar bem de perto, sé é que existe.

Só espero que nesse ano a festa do governo não complique mais a história...


Anônimo:

A política monetária esta atrelada ao regime de metas. Assim acho que a maior preocupação do BC é a inflação.

Agora, não sei como incorporar a curva de Phillips o preço dos ativos.

Anônimo disse...

Mesmo que se adote uma política de metas de inflação, os BCs sempre têm em mente alguma forma de Curva de Phillips. O problema é que a economia americana nos anos 2000, particularmente a partir de 2002, conjugou alto crescimento com baixa inflação de bens, mas com elevada inflação de ativos. Ou seja, o aumento de oferta de moeda não foi usado para comprar bens e serviços e sim para adquirir ativos. Com isso, a Curva de Phillips, que já foi bastante questionada no passado, perde completamente o sentido como um dos elementos balizadores da política monetária.

Anônimo disse...

"Política monetária baseada em Curva de Phillips. "

Continua viva, nao ha substituto.

Tiago Caruso disse...

Acho bem pertinente os comentários dos anônimos.

A política monetária continuará baseada em um curva de phillips mas os BC`s vão olhar com mais cuidado o mercado financeiro. O problema é que ninguém sabe ao certo medir inflação de ativos. O que é inflação, o que é valorização?

Tiago Caruso disse...

Quanto a política econômico no governo Lula, a tônica será o governo tentando a todo custo manter o crescimento a 4% ao ano enquanto as expectativas do mercado são de 2%. Haja lenha para botar na fogueira.

Anônimo disse...

A política monetária continuará baseada em um curva de phillips mas os BC`s vão olhar com mais cuidado o mercado financeiro. O problema é que ninguém sabe ao certo medir inflação de ativos. O que é inflação, o que é valorização?

Talvez uma medida de inflação (devido a bolha), no caso de imóveis, seja a relação entre preço dos imóveis e valor dos aluguéis.

No Brasil, o valor de um aluguel residencial mensal tende a se situar entre 0,6% e 0,8% do valor do imóvel. Logo, qualquer valor muito acima de 0,8% poderia ser um indício de bolha.

Victor disse...

Anônimo

Qual a lógica da razão (aluguel/valor do imóvel) ser um sinal de inflação?
Essa medida pode refletir um mercado imobiliário saturado, e que precisa de novos imóveis para locação. Quanto menos residências disponíveis para alugar, maior é a capacidade de barganha do locatário e por tanto (aluguéis/valor do imóvel) maiores.

Para mim essa conversa de inflação em mercado de ativos é estranha. Eu prefiro o termo bolha. Mas eu sou um cara antiquado, que ainda acredita naquela história de "Inflação: Um fenômeno monetário". Uma coisa é distorção de preços relativos, provocado por N medidas como a apontada pelo anônimo. Outra coisa é inflação.

Tiago Caruso disse...

Concordo com o mexicano (Victor).

Além disso anônimo, acho que você trocou: uma razão aluguel/preço muito baixa seria um indicativo para bolha nos imóveis. Entretanto, como já foi dito, poderia muito bem representar idiossincrasias de cada um dos mercados.

Anônimo disse...

caruso,

tens razão, inverti a o numerador e o denominador.

Anônimo disse...

Obviamente simplifiquei a análise para não me prolongar demais. É claro que a elevação dos preços dos imóveis ou dos aluguéis podem refletir fenômenos "reais", desvinculados à formação de bolhas. Mas acredito que os Bancos Centrais possuem instrumentos para monitorar as principais variáveis que influenciam a oferta e a demanda "real" por imóveis, tais como crescimento populacional, crescimento dos negócios etc, de tal forma que uma bolha seja detectada rapidamente, com as medidas corretivas podendo ser tomadas em tempo hábil. Mas uma coisa me parece certa: em países historicamente acostumados com inflação em torno de 2%, 3% ao ano, a inflação de ativos é muito mais ameaçadora do que a inflação de bens.

Thomas H. Kang disse...

Off-topic:

só queria agradecer o Lucas desse blog pela visita ao meu (http://oikomania.blogspot.com). Já conhecia o blog de vocês (que tá bem pop, saiu até na mídia) e estava acompanhando a discussão do IPEA (fiz a prova também e foi triste).

De qualquer forma, vocês obviamente conhecem meu ex-colega Augusto Vanazzi, assim como também o Tarso Madeira e o Diego Brandão do ano acima.

Um abraço

Theo disse...

Acho que o tema, especialmente para o 2o semestre, será responsabilidade fiscal. E não estou falando de Brasil não: o Obama continuará a gastança na recuperação da economia? Quais os limites dessa política? Não vejo um bom horizonte, nem mesmo resultados concretos significativos...

p.s: quem quebra primeiro: GM, Crysler ou Ford? rs...

Marcio Firmo disse...

Acho que o post poderia ser um pouquinho mais específico, para que a discussão fosse mais interessante.
Dada a necessidade de responsabilidade fiscal e o sucesso do sistema de metas de inflação, acho que a única que vale alguma discussão é o sistema de cambio flutuante. Não sua adoção, mas suas influencias nos graus de liberdade das outras variáveis.
Por exemplo: o real se depreciou bastante nos últimos seis meses. Qual é o pass-through estimado pro brasil? E se pegarmos os últimos 18 meses, qual foi a depreciação? Quanto dessa apreciação entre 18 e 6 meses foi repassada para os preços e agora vai ser revertida por causa da depreciação e quanto ficou "travado" e, portanto, não será repassado? Ou seja: o quanto esse processo é 'sticky'?

Abs,

ps. mais 100bi pro bndes