sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mantega e o Valor Esperado

Mais uma demonstração de brilhantismo do nosso ministro da economia:

Hoje em entrevista ao Jornal Nacional Mantega declarou:

"ao cobrar uma taxa de juros mais elevada, cria a inadimplência; você dificulta ao cidadão pagar a conta. Eu acho que essa política dos bancos é totalmente equivocada, é claro que leva a lucros elevados dos bancos, mas depois é um tiro no pé, porque se o cidadão depois ficar inadimplente, ele não vai pagar".

Alguém precisa explicar ao ministro que ao contrário dele, pessoas em banco sabem fazer conta de valor esperado. Por isso a inadimplência é levada em consideração ao se calcular a taxa de juros cobrada, que, aliás, é aquela que maximiza o lucro do banco.

Fico com pena do professor de estatística que ele teve na USP, deve estar se contorcendo.

8 comentários:

Henrique disse...

sempre surpreendendo.

Daniel Coelho disse...

O prof de estatística não deve se surpreender com nada que o Mantega diz uma vez que ele não entendeu nada de economia e foi fazer doutorado em sociologia.

Mas voltando ao assunto de spread, nesses modelos de racionamento de crédito não dão a impressão de que tem alguma coisa errada com o spread no Brasil?

Melhor, ao invés de criticar o Mantega por subestimar o conhecimento de estatística dos bancários, não era seria mais apropriado criticar a hipocrisia de um governo com uma série de linhas de crédito subsidiadas que vão para os melhores devedores?

Tiago Caruso disse...

Daniel,

certamemte os modelos de racionamento de crédito mostra que há algo errado com o Brasil. A taxa de recuperação do empréstimo é baixa, execução civil é muito cara. Isso sem considerar que é difícil acreditar que o mercado bancário brasileiro é competitivo.

Um post sobre o crédito subsidiado certamente seria mais contundente, mas a ignorância do comentário do ministro foi tamanha que eu preferi aproveitar o momento.

Anônimo disse...

nessa questão de inadimplência deve ocorrer algo parecido com a Curva de Laffer: a partir de um certo ponto, cobrar mais juros para cobrir uma eventual inadimplência tende a impulsionar a taxa de inadimplência.....talvez o ministro não tenha sido tão estúpido assim.

Tiago Caruso disse...

Anônimo,

você tem razão em acreditar nesse efeito. A estupidez é o ministro achar que os bancos não sabem isso.

Anônimo disse...

pelo que os Bancos americanos e europeus andaram fazendo nos últimos anos, não se pode duvidar de nada....

Guilherme Lichand disse...

estou bastante interessado na questão dos altos spreads... saiu hoje na Folha que o Governo está pressionando os bancos públicos a baixar as taxas nos segmentos em que tem maior market share para induzir o mesmo comportamento das instituições privadas. Caso Caixa e BB realmente procedam dessa forma, quero ver como respondem as instituições privadas.

Meu interesse tem a ver com estudos de Organização Industrial que buscam explicar porque é possível (com consumidores racionais) que coexistam fundos que vendam produtos homogêneos mas cobram taxas de administração incrivelmente heterogêneas. A resposta vai na linha de custos de busca e efeitos de reputação. Esses elementos acrescentam rigidez às escolhas de consumidores ao longo do tempo.

Embora eu ache que esse argumento só faça sentido para consumidores não-institucionais, para quem esses custos são mais relevantes, será que um movimento de baixa das taxas dos bancos públicos será pressão competitiva suficiente para a diminuição do spread nesses segmentos?

Acho que é prioridade entender os altos spreads no Brasil... política monetária precisa ir muito além de discutir os movimentos da Selic.

Anônimo disse...

É fácil saber para onde vai o spread....enquanto os bancos brasileiros trabalham com alavancagem de 6, 7 vezes o PL, os bancos de investimento americanos estavam trabalhando com até 35x. E a rentabilidade sobre o PL não é muito diferente. Logo....