quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Guerras Corporativas

Dei uma procurada no google e não achei nada, então vou ter que lançar minha idéia polêmica sem me apoiar em ninguém. Eu acho que dá para interpretar as guerras tradicionais como "trocas de controle", onde um estado se endivida para "adquirir o controle" de outro estado, do mesmo jeito que firmas fazem isso para adquirir o controle sobre outras firmas. Tal qual o caso corporativo, o estado "comprador" não necessariamente se apropria do fluxo de caixa (impostos) do estado "comprado", mas ele coloca no governo pessoas de confiança ou mesmo ocupa o estado "comprado" (indicações de diretores para o Board ou mesmo de um novo CEO).

Claro que hoje em dia temos várias guerras com outros intuitos, como as promovidas pelas tropas da ONU. Mas ainda sim temos muitos exemplos de guerras "old school", como as duas invasões recentes dos EUA, a intervenção dos EUA no Panamá em 89, os dois conflitos recentes entre Rússia e Chechênia, a guerra entre Iugoslávia e Kossovo, China e Vietnã em 89 e por aí vai.

Não sei até onde a analogia pode ir, mas a existência de um "mercado de controle" (mercado de fusões e aquisições) é visto como uma boa coisa pelo pessoal de finanças corporativas. A possibilidade de ser comprado disciplina os controladores das firmas, fazendo com que eles dispensem um tratamento mais igualitário aos minoritários. Além disso, o mercado percebe como mais promissoras compras financiadas com dívida em detrimento de equity. Será que, por exemplo, o impacto do anúncio de uma guerra tem mais impacto negativo na taxa de câmbio do país atacante quando o financiamento é via impostos do que quando o financiamento é via dívida?

6 comentários:

Theo disse...

Boa idéia Rafael. O problema é saber quando do lançamento da guerra como será seu financiamento e conseguir diferenciar isso do restante de gastos do governo. Diferentemente do que ocorre em empresas, geralmente o governo não mostra de inicio o modo de financiamento, que pode ser inclusive mascarado (via inflação).

Anônimo disse...

Em geral guerras sao financiadas com divida. Vide paper do Barro de muitos anos atras.

"O"

Anônimo disse...

O que tem como motivação principal política não necessariamente faz sentido do ponto de vista da economia.

Adquirir controle de outra empresa não é guerra nenhuma, a aquisição de ações é voluntária, uma vez acertado o preço.

Guerra entre estados tem muitas outras razões além do economicismo.

Roberto.

Anônimo disse...

Concordo que os motivos para as guerras nem sempre são econômicos.

Intuitivamente acredito que o financiamento de uma guerra via dívida afeta mais o mercado de câmbio do que o financiamento via impostos, pelo menos no curto prazo.

Mas se pensarmos que a equivalência ricardiana vale, os dois são indiferentes.

Toni

Rafael M disse...

Toni, eu não tenho crteza, mas acho que equivalência ricardiana não sobrevive aos testes empíricos. A idéia seria ver se o impacto é diferente no caso de aumento de impostos ou de dívida para outros gastos comparado com aumentos específicos para financiar guerras.

Roberto, em muitas aquisições (eu acredito que na maioria) o bloco de controle sai não porque concordou com o preço, mas sim porque os minoritários concordaram (Vide a aquisição da bud pela interbrew, por exemplo).

Anônimo disse...

"Toni, eu não tenho crteza, mas acho que equivalência ricardiana não sobrevive aos testes empíricos."

Correto. Nao sobrevive.

Equivalencia ricardiana - se voce perguntar para qualquer economista reality based - eh uma curiosidade teorica.

"O"