terça-feira, 27 de outubro de 2009

América Marxista

Depois de ouvir um comentário sobre a popularidade de economistas famosos, resolvi dar um conferida no Google Trends quanto cada um dos nossos velhos conhecidos é procurado na internet. O resultado foi o seguinte:
No gráfico, Marx está em azul, Keynes está em vermelho e Friedman está em amarelo. Temos dois problemas com esses números. Primeiro, Marx é buscado também por pessoas com interesse em sociologia e história, o que dá uma inflada nos números dele. Segundo, Friedman é um sobrenome mais comum, que inclui o autor daquele livro "O Mundo é Plano", o que também infla um pouco os números dele.

Mas, acho que nada disso mudaria muito a minha interpretação do resultado: existe muito mais gente interessada em autores não-liberais do que em autores liberais.

Agora o mais interessante talvez seja a lista dos países onde Marx é mais buscado, na ordem:

1. Colombia



2. Mexico



3. Brazil



4. Argentina



5. Venezuela



6. Germany



7. Chile



8. Peru



9. Austria



10. Spain




Dos 10 primeiros, 7 estão na América Latina. Dos 5 primeiros, todos estão na América Latina.

15 comentários:

Galego disse...

O mais interessante é olhar no gráfico a proporção dos outros dois pensadores... o Brasil é lanterna em citações de buscas de Friedman e Keynes, enquanto é um dos líderes em relação ao charlatão alemão.
Triste reflexo da ausência de produção intelectual no Brasil...

Theo disse...

Galego disse tudo: Friedman no BR é quase um autor de segunda linha.

Quem sabe no longo prazo isso não muda....

GOLGA disse...

Talvez mude bastante se você colocar o nome inteiro.. "Friedman" é um nome bem mais comum do que se pensa. Basta olhar ali do lado, nas notícias, e contar quantas falam do Milton. Só a da morte dele...

Mas o que diz respeito a Marx é aquilo mesmo... Latinoamerica super ativista.

Anônimo disse...

galego, charlatão alemão seria o marx? qualquer imbecil por mais friedmiano que seja reconhece a genialidade daquele que destrinchou o capitalismo NO e DO seu tempo. sem mais.

Rafael M disse...

Anônimo,
Seu ponto é que Marx estava certo NO tempo dele? E agora está errado?

Galego disse...

Ao anônimo de quarta-feira!

Sim, eu me referi ao Marx.

E concordo com você: para achar aquele charlatão um gênio, tem que ser mesmo imbecil!

Carlos Cinelli disse...

Rafael M

Você tem que delimitar mais as palavras-chaves, colocnado o nome completo como "Karl Marx" e "Milton Friedman" e "John Maynard Keynes".

Não sei se você reparou, o padrão de busca dessas palavras é escolar. Na sua busca, apenas Marx resultou num padrão escolar porque as palavras Friedman e Keynes aparecem em muito mais coisas além dos autores.

Assim, muito provavelmente o resultado não tem a ver com ativismo no sentido stricto sensu da palavra, mas com a realização de trabalhos escolares. Teríamos uma evidência de que se ensina bastante Marx nas escolas latino americanas - e por experiência pessoal, sabemos o quão desastroso isso é.

Se você buscar, por exemplo, apenas na região Brazil, Isaac Newton, Pitagoras, Karl Marx e Dom Casmurro, verá que todos seguem o mesmo padrão cíclico escolar.

Abs.

Anônimo disse...

Nenhuma surpresa que a America Latina lidera o mundo em interesse por Marx... Afinal, vide o desempenho de nossas criancas em comparacoes internacionais de capacidade cognitiva.

"O"

Rafael M disse...

Carlos, eu levantei esses pontos no post. Se você coloca os nomes completos muda a quantidade de buscas, mas não a forma dos gráficos. Acho que alguém fazendo um trabalho escolar também busca "Karl Marx". Só que aí, nos países de língua espanhola, eles buscam "Carlos Marx", a aí esses países tendem a sumir da lista.

Meu ponto não é ativismo, é apenas interesse mesmo. Ainda que seja um interesse obrigatório...

Rômulo Ely disse...

Chuto que duas décadas de ditaduras possa ter feito do marxismo uma espécie de panacéia universal em muitos latino americanos...o que era um contraponto, proibido, ao "capitalismo", na verdade representava muito mais um contraponto aos regimes ditatoriais da época. Daí a américa Latina apresentar esse "desempenho"...20 anos de proibição podem ter criado uma sobrevalorização das obras de Marx no continente. Como essa busca é geral, ou seja, entre economistas e não economistas...são diversos os não economistas "especialistas" em Marx. Na verdade, é mais uma distorção criada...existe um marxismo "novo" (paralelo, informal) em bares, escolas, universidades, repartições públicas, sindicatos e etc etc etc, por aí...é um marxismo de quinta categoria.

Caio Machado disse...

Caros,

Estudo na FEA-USP e estou próximo do encerramento do curso. Provavelmente em 2011 prestarei a ANPEC, sendo a PUC-Rio minha preferência.

Alguém sabe me dizer qual é o peso (informal) que os selecionadores dão ao histórico escolar do candidato à vaga de mestrado? É fundamental ter um bom rendimento? Ou seja, existe a possibilidade de a PUC não aceitar um aluno bem colocado na ANPEC devido ao seu desempenho escolar não muito bom?

É isso.

Abs
Caio Machado

Tiago Caruso disse...

Caio,

se você estiver entre os 20 primeiros você pode ter se formado em oboé na Uniban com CR zero que a PUC vai te chamar.

Se você ficar pior que os 20 primeiros, as sua notas e cartas de recomendação podem pesar.

Boa sorte

Caio Machado disse...

Valeu Caruso

Rafael M disse...

Mas se você ficar fora dos 30 ou 35 primeiros, o histórico e as cartas não pesam nada também...

Anônimo disse...

Sou engenheiro e comecei a estudar um pouco de economia agora (infelizmente na Unicamp).
Nunca havia ouvido falar de Friedman, só em posts que tenho frequentado, Keynes há pouco tempo mas Marx, desde garoto.
Creio que seja pela questão sociológica e histórica.
Mas não acredito que ainda exista muitos que acham que suas teorias possam ser implementadas com sucesso (além de alguns malucos de PSOL, PSTU e outros lixos).