sexta-feira, 19 de junho de 2009

Bandidos em Greve na USP

Eu estudei 4 anos numa universidade pública e sei bem de todos os problemas que os alunos de boa índole (não que eu fosse um deles) têm que enfrentar: picaretagem dos professores, estrutura caindo aos pedaços, falta de dinheiro, etc. Mas um problema mais misterioso e menos evidente são os alunos e professores que trabalham contra a universidade. Por exemplo, os professores ligados a sindicatos e alunos ligados ao movimento estudantil.

Agora esse episódio da greve na USP me faz lembrar todo dia dos absurdos que eu tinha que suportar. Mas o que me irrita mais é essa hipocrisia em relação às atitudes da polícia. O "movimento grevista" tem tomado (e sempre tomou, em todas as greves) atitudes criminosas. E quem cuida de bandido, na minha humilde opnião, é a polícia.

Só para exemplificar, olhem essa curta entrevista do diretor da faculdade de direito da USP (largo são francisco):

Entrevista

FOLHA - Por que fechar a faculdade?
JOÃO GRANDINO RODAS - Não foi por medo, mas por precaução, para preservar o patrimônio e as pessoas da faculdade. Não é uma coisa que se faz com gosto. Estamos no final do semestre, e hoje [ontem] era dia de provas.

FOLHA - Qual foi o receio?
RODAS - Alguns [manifestantes] acham que certos métodos são produtivos. Sabendo disso, eu, como diretor, poderia ser criminalmente responsável se acontecesse algo e eu não tivesse tomado uma medida de cautela. No passado da faculdade [em 2007, quando foi ocupada por manifestantes], houve alunos e funcionários encurralados na salas. Puseram cadeados nas grades de portas e janelas. Ou seja: eu sei que é um absurdo fechar a faculdade, mas como não fazer nada quando há dois dias houve aquilo [invasão] no refeitório [na Cidade Universitária]? Infelizmente, não tenho bola de cristal para saber o que esperar.

FOLHA - O senhor combinou o fechamento com a reitora da USP?
RODAS - Ela tinha conhecimento de que a faculdade iria fechar. Foi uma decisão minha, que levei ao conhecimento dela. Não é algo que foi imposto pela reitora.

Agora não me venha a Marilena Chauí e o Antônio Candido me falarem que usar a polícia é o mesmo que retornar à ditadura.

Tenho que concordar com o Lula... Ler jornal dá gastrite.

25 comentários:

Tiago Caruso disse...

Rafael,

acho corajoso o post. Também estudei em uma universidade pública e sei bem quantas vezes já tive que ter aulas em janeiro, por causa de greves que a maioria dos alunos da faculdade não concordava.

Uma vez eu entrei acidentalmente em uma reunião do C.A de Direito e as pessoas me convidaram para participar. Quando me falaram o orçamento da universidade (UERJ não é nada se comparado a outras) fiquei boquiaberto. Fiz umas contas no meio da reunião e mostrei para eles que aquilo equivalia a 2.500R$ por aluno por mês (isso tem uns anos) e que era um absurdo dizer que faltava verba e não combater os inúmeros desperdícios, entre eles os professores fantasmas do curso.

Os membros do C.A (Calc) apesar de um pouco chocados com as minhas colocações foram atenciosos e o debate continuaria até a Copa no Brasil se eu não tivesse que sair depois de 4 horas naquela reunião.

Ricardo Leal disse...

Eu estou aqui na USP agora e concordo plenamente com vc Rafael. As pessoas que estao protestando parecem não saber ou não querem saber a diferença entre repressão de verdade (a que aconteceu durante a ditadura) e a mera manutenção de ordem que é o trabalho da polícia mesmo. Esses alunos parecem tb acreditar que unicamente a manifestação deles é democrática e impedem alunos, professores e servidores que nao concordam com eles de continuarem normalmente. Invadiram o unico bandejao que está funcionando e entraram em confronto com alunos que faziam manifestacao contrária a greve. Isso me parece mais truculencia...

Bernard Herskovic disse...

Eu também estudei 4 anos numa universidade pública. É verdade que muitos dos estudantes em greve estão ali apenas pelo circo e talvez tenham nascido na década errada, porém muitas vezes algumas reivindicações válidas nunca seriam alcançadas sem manifestações ou greves. Se um funcionário ficar esperando por um aumento salarial vai continuar esperando o seu pedido ser aprovado pelas diversas instâncias da universidade que são compostas, em geral, por alunos, professores e funcionários.

Além dos estudante que gostam da greve, têm também os funcionários que gostam da greve e fazem greve por inveja. Em geral, os funcionários ganham muito menos que os professores, principalmente daqueles que fazem consultorias ou qualquer coisa do gênero para aumentar a renda, nesse caso o funcionário faz greve não porque ganha pouco ou porque tem um salário injusto, mas simplesmente pela desigualdade salarial que convive.

Rafael M disse...

Bernard, eu discordo de você. Mas eu nem vou entrar nesse mérito da eficácia da greve ou das boas intenções dos grevistas porque esse não é meu ponto.

Meu ponto é que esses grevistas têm tomado atitudes criminosas, e atitudes criminosas pedem a ação da polícia.

Theo disse...

Caruso / Rafael,

O que vocês acham do ProUni? Eu acho uma boa iniciativa.

quanto aos grevistas, claro, tem que prender. Além de prender, tem que perder o empreguinho público que eles tanto gostam. Mas creio que ao ser preso (e condenado?) o servidor já perde direito à estabilidade.

Tiago Caruso disse...

Theo,

o ponto que eu coloquei no outro comentário elucida bem porque eu gosto do ProUni. Se é para pagar universidade para os mais pobres,melhor pagar as Universidades que custam bem menos e muitas vezes oferecem um serviço melhor.

Anônimo disse...

Tendo estudado em universidade publica no Brasil, universidade privada no Brasil e universidade privada nos EUA, posso dizer que esse incidente todo eh bizarro.

Como que funcionario de uma universidade pode achar que pode parar a universidade? Que palhacada eh essa? Imagina soh os funcionarios de Harvard decidindo que nao vai ter aula? Piada.

Como que a reitora nao tem poderes para demitir quem lhe der na telha? Como que os alunos que fazem barricadas em salas de aula nao sao jubilados sumariamente?

Lembrem-se, a universidade eh publica, cara para a sociedade e financiada pelo ICMS (imposto regressivo). Nenhum aluno tem direito de ajudar grevista, eles tem sim, a obrigacao de repagar o investimento que a sociedade faz neles ao estudar e tentar ser excelente. Vagabundo faz piquete.

Vagabundo perde o direito a escola publica gratuita. Repito: se a reitora jubilasse uma meia duzia que fizesse piquete todo dia, logo a greve acabaria.

Obviamente, nao existe chance alguma disso acontecer. Eh o Brasil, ne mermao?

Arthur disse...

Algumas observações.

Rafael, acho que o problema não é usar bandido para cuidar de bandido.

O problema, para mim, é:

i) Da parte da reitoria e do governo de São Paulo: usar a polícia para lidar com toda reivindicação de cunho político e social (o que aliás é uma política bem anos 1920 e que impressiona como é defendida ainda hoje por alguns) e não saber sentar na mesa e negociar. Se você observar e comparar a situação da USP nos últimos anos com outras universidades brasileiras você verá como a Sueli - reitora da USP - é incapaz de contornar problemas via negociações;

ii) Da parte da polícia: tomar atitudes desproporcionais quando é chamada para garantir a ordem. Aliás nunca vi policial brasileiro garantir a ordem em aglomerações, só vi dar porrada. O confronto de semana passada foi motivado pelo fato que alguns policiais foram cercados - note que foram cercados, ninguém encostou neles - por um grupo de manifestantes. Para "resgatar" os policiais a "brilhante" PM paulista saiu dando porrada. Aqui eu vou por experiência própria. Ano passado a polícia foi chamada para impedir um bando de baderneiros de passarem um filme sobre a maconha numa faculdade da UFMG. Resultado? Policiais que deveriam ser treinados e capacitados para lidar com ânimos exaltados, situações limite, etc e com isso garantirem a ordem pública se exaltaram com pequenas discussões e provocações e partiram para porrada com os estudantes que eram baderneiros sim (conheço-os...), mas que não representavam risco algum a ninguém. Comparo com uma situação que vivi quando morei na Inglaterra. Duas vezes vi moleques provocando policias em East London e nem por isso os policiais se mexeram, xingaram, desceram o cacete, etc. Quando a polícia é pouco profissional e desce o cacete ela transforma "baderneiros" em "mártires" e dá força política a movimentos radicais. Aliás, reitoria e governo deveriam se lembrar dessa "externalidade" da polícia antes de partir para a briga.

Caruso, concordo em gênero, número e grau que o ProUni é bom.

Agora eu acho que sua afirmação sobre a qualidade das universidades particulares ser potencialmente melhor do que das universidades privadas discordo que seja verdade. Na média - e as poucas estatísticas que já vi confirmam isso - as universidades públicas são muito melhores que as privadas. Que não seja por mérito delas e sim por puro "peer-effect" ainda assim elas são em média melhores que as privadas.

Quanto a eficiência note que os orçamentos das universidades públicas incluem gastos com inativos. Isso infla os gastos por aluno. Aliás, pelo menos na universidade federal que eu estudei (que deve refletir um pouco a realidade das IFES) tirando as despesas que já estão todas presas com salários não sobra muito dinheiro para despesas fixas (manutenção, eletricidade, telefone, etc etc). Daí a importãncia das fundações vinculadas as universidades (e origem dos problemas na UnB) para captar recursos externos para a universidade. A relação professor/aluno também é meio ruim não (11 alunos por professor, média de uma univ. top nos EUA, mas abaixo do sistema da UC, por ex.) mas a meta do REUNI (programa de expansão das IFES) era aumentar a relação para 17 alunos por professor (mais ou menos a relação das UCs). E pelo menos na minha unidade a quantidade de matérias que cada professor dá por ano é maior ou igual a dos professores aqui da PUC/RJ. Acho que um problema grande das IFES maiores é que elas quase só operam com professores DEs. Todos DEs tem que ter sala, telefone, etc etc. Sobrecarrega a faculdade e leva a departamentos inchados (já viu o tamanho do depto. de economia da UFRJ ou da USP?). Melhor ser que nem na PUC. Poucos DEs e vários professores part-time. Poupa gastos em salários (nem tanto) e em estrutura (bastante).

Abs

Arthur

Anônimo disse...

"i) Da parte da reitoria e do governo de São Paulo: usar a polícia para lidar com toda reivindicação de cunho político e social (o que aliás é uma política bem anos 1920 e que impressiona como é defendida ainda hoje por alguns) e não saber sentar na mesa e negociar. Se você observar e comparar a situação da USP nos últimos anos com outras universidades brasileiras você verá como a Sueli - reitora da USP - é incapaz de contornar problemas via negociações; "

Argumento fraquinho. E quem disse que as reivindicacoes dos grevistas sao negociaveis?

Imagina soh o Ze Chumbinho chegar na tua casa e fala me dah a sua TV e deixa eu deitar com a sua mulher. Daih voce tenta se defender, e um idiota diz que o problema eh que voce nao soube negociar as reivindicacoes do Ze Chumbinho. Eh mais ou menos essa a situacao da USP.

Os grevistas querem a readmissao do Claudionor que foi demitido porque saiu dando porrada nos estudantes emuma greve passada alem de um pequeno problema de atentado violento ao pudor com uma faxineira da escola (lumpen proletariat, nao?).

Arthur disse...

Anônimo, quantos problemas entre reitoria e funcionários ocorreram na USP nos últimos 3 anos? Não me refiro só a esse caso (além disso é de um simplismo absurdo dizer que a greve atual se resume a tentativa de readmissão de um funcionário!).

A MAIOR parte da comunidade universitária é contra os métodos dos "baderneiros". Eles só conseguem algum espaço a anos graças a incapacidade política da reitoria. A reitoria mobiliza mais gente pros "baderneiros" que eles mesmos.

Ninguém precisa "abrir as pernas" para manifestantes. Mas precisa saber dialogar e conduzir politicamente os processos. Fazendo isso não tornará "baderneiros" em pessoas civilizadas, mas evitará que os "baderneiros" tenham capacidade de mobilizar e de fazer baderna.

Finalizando, me desculpe, mas esse argumento "não negocio/converso com você" é que é fraquinho. Inclusive me lembra bastante o (derrotado) argumento dos neocons americanos.

O Iraque e o Afeganistão estão aí para mostrar que esse argumento é furado.

Aliás, diversos movimentos radicais (como IRA e ETA) só perderam força e capacidade de mobilizar quando os governos fizeram concessões e abriram negociações. Aliás, no caso do IRA os "Acordos de Sexta-Feira Santa" só foram possíveis porque o governo britânico abriu mão de exigências que tornavam a própria abertura de negociações impossível.

Inclusive abrir alguns blogs e jornais pode ser instrutivo para mostrar como a recusa do Aiatolá Khamenei de negociar com a oposição (expressa no seu discurso anteontem) levou a radicalização e a mortes ontem.

PS: Sua comparação não se aplica. Primeiro porque se trata de uma situação pessoal limite completamente diferente de uma disputa política. Segundo, porque a relação de poder que existe no caso USP vs. grevistas e no caso de você vs. Zé Chumbinho é completamente diferente certamentee influencia escolhas e resultados ótimos.

Anônimo disse...

"Anônimo, quantos problemas entre reitoria e funcionários ocorreram na USP nos últimos 3 anos? Não me refiro só a esse caso (além disso é de um simplismo absurdo dizer que a greve atual se resume a tentativa de readmissão de um funcionário!). "

Eh mais que isso. Existe a questao dos cursos a distancia, que eh uma politica de governo visando democratizar o ensino universitario publico, que nossos humanistas de esquerda do DCE-USP opoem. A ideia que a politica que emana de um governador eleito tem que negociar com um DCE eh anti-democratica e eu abomino-a.

"A MAIOR parte da comunidade universitária é contra os métodos dos "baderneiros". Eles só conseguem algum espaço a anos graças a incapacidade política da reitoria."

Discordo veementemente. Eles soh conseguem espaco porque eh da cultura nossa passar a mao na cabeca de estudantes baderneiros (porque em sua maioria de classe media). Se a reitoria fosse mais seria, e jubilasse os alunos que nao seguem normas de comportamento esperadas de um universitario que se beneficia do ensino publico de qualidade e gratuito, nao haveria esses problemas. O pecado original eh a impunidade.

"Finalizando, me desculpe, mas esse argumento "não negocio/converso com você" é que é fraquinho. Inclusive me lembra bastante o (derrotado) argumento dos neocons americanos. "

A sua comparacao que eh fraquinha. Uma coisa nao tem nada a ver com a outra.

O seu problema basico eh que voce ou nao entende o que seja democracia ou odeia-a.

A politica publica que emana dos representantes eleitos do povo paulista estah sendo oposta por uma gangue que usa da porrada e dos caminhoes de som para se fazer ouvir.

Se voce nao gosta da politica publica da USP, vai estudar em outra universidade, vai trabalhar em outro emprego, ou eleja um governador que esteja disposto a adotar sua agenda.

Em qualquer pais minimamente decente, se um idiota liga um caminhao de som na frente de uma escola, a diretoria da escola pode chamar a policia, e voce pode ter certeza, o idiota no caminhao de som vai sair algemado se ele insistir em incomodar o proximo.

Essa eh a diferenca entre os EUA e quase todo resto do mundo: quando os controladores de voo quiseram fazer greve, o Reagan simplesmente pos todos na rua, pronto. Depois tem gente que nao entende porque os EUA sao o pais mais rico do mundo. E nos temos o "direito a greve", imagine soh, nos temos direito a continuar a receber enquanto em greve!

Anônimo disse...

Um comentario mais curto:

Eh patetico ver uma universidade refem dos seus funcionarios.

Simplesmente nao pode acontecer.

Se o Brasil fosse um pais serio, o governador de SP/a reitora da USP jah teria demitido todos os funcionarios que aderissem em greve, com justa causa.

A farsa comeca com a ideia que funcionarios de uma universidade publica tem direito de greve.

Guilherme Lichand disse...

os alunos não têm menos direito de ter aula do que os manifestantes têm direito de se manifestar

Arthur disse...

Anônimo, qual é o seu conceito de democracia?

O fato de existir um governo eleito não significa que a população e os diversos movimentos organizados da sociedade civil (opositores ou não do governo) não tenham direito de manifestar seus anseios, pressionar o governo, etc para conseguirem ver parte da sua agenda implementada.

Goste você ou não a greve faz parte do conjunto de meios democráticos e legítimos de pressão que existem em uma democracia. Abusam dele de vez em quando? Sim! Mas a perda de suprimir esse direito seria muito maior que o ganho de tê-lo.

PS1: seu argumento de que se eu não gosto da política da reitoria da USP que saia do emprego tem um sabor de "Brasil, ame-o ou deixe-o!". Te sugiro mudar para o Arábia Saudita. Talvez você encontre pessoas que pensam como você lá!
PS2: Seu argumento sobre direito de greve supõe que toda Europa não seja civilizada.
PS3: Essa de "se fôssemos um país decente" é argumento de meninos de 15 anos... Não vale nem comentar.

Encerro minha participação no debate com você porque tenho que dormir e porque amanhã o Mas-Colell me espera.

Att

Arthur disse...

Anônimo, qual é o seu conceito de democracia?

O fato de existir um governo eleito não significa que a população e os diversos movimentos organizados da sociedade civil (opositores ou não do governo) não tenham direito de manifestar seus anseios, pressionar o governo, etc para conseguirem ver parte da sua agenda implementada.

Goste você ou não a greve faz parte do conjunto de meios democráticos e legítimos de pressão que existem em uma democracia. Abusam dele de vez em quando? Sim! Mas a perda de suprimir esse direito seria muito maior que o ganho de tê-lo.

PS1: seu argumento de que se eu não gosto da política da reitoria da USP que saia do emprego tem um sabor de "Brasil, ame-o ou deixe-o!". Te sugiro mudar para o Arábia Saudita. Talvez você encontre pessoas que pensam como você lá!
PS2: Seu argumento sobre direito de greve supõe que toda Europa não seja civilizada.
PS3: Essa de "se fôssemos um país decente" é argumento de meninos de 15 anos... Não vale nem comentar.

Encerro minha participação no debate com você porque tenho que dormir e porque amanhã o Mas-Colell me espera.

Att

Anônimo disse...

"Anônimo, qual é o seu conceito de democracia? "

Governo representativo eleito por uma maioria e que respeite os direitos das minorias e seja sujeito a "checks and balances" de outros poderes.


"O fato de existir um governo eleito não significa que a população e os diversos movimentos organizados da sociedade civil (opositores ou não do governo) não tenham direito de manifestar seus anseios, pressionar o governo, etc para conseguirem ver parte da sua agenda implementada. "


Nao!!! Isso eh anatema a democracia. Sociedade civil nao tem que pressionar o governo. Isso eh fascismo. A beleza da democracia eh que os conflitos se resolvem pelo voto e no poder legislativo.

"Goste você ou não a greve faz parte do conjunto de meios democráticos e legítimos de pressão que existem em uma democracia. Abusam dele de vez em quando? Sim! Mas a perda de suprimir esse direito seria muito maior que o ganho de tê-lo. "

Eu discordo que exista um direito de greve. Existe um direito de locaute?


"PS1: seu argumento de que se eu não gosto da política da reitoria da USP que saia do emprego tem um sabor de "Brasil, ame-o ou deixe-o!". Te sugiro mudar para o Arábia Saudita. Talvez você encontre pessoas que pensam como você lá!"

Nao. Apenas parece a vida dos 80% de brasileiros que trabalham no setor privado.


"PS2: Seu argumento sobre direito de greve supõe que toda Europa não seja civilizada."

Simplesmente falso. Em nenhum pais da Europa que eu saiba existe direito de greve em que o grevista continue recebendo salario enquanto parado. Isto eh uma inovacao institucional nossa, talvez porque nos sejamos mais espertos que o resto do mundo?

"PS3: Essa de "se fôssemos um país decente" é argumento de meninos de 15 anos... Não vale nem comentar. "

Por que? Desconfio que voce nunca morou fora do Brasil, portanto esta acostumado com padroes baixos de civilidade. Parar um caminhao de som na frente de uma escola para fazer discurso e interromper aulas eh indecente. Se voce acha isso normal, entao voce merece ter o Sarney de presidente do Senado...

Anônimo disse...

"O fato de existir um governo eleito não significa que a população e os diversos movimentos organizados da sociedade civil (opositores ou não do governo) não tenham direito de manifestar seus anseios, pressionar o governo, etc para conseguirem ver parte da sua agenda implementada. "

Achei uma batatada... A sociedade civil pode sim pressionar o governo por uma agenda. Tal pressao se chama lobbying. Em democracias maduras, eh uma atividade regulamentada e legal. E nao tem nada a ver com usar de truculencia, paralisar as aulas em uma universidade, sair dando porrada em quem quer estudar etc.

Lindóia disse...

Pra quem viu gente fazendo manifestação,acampando na sala do reitor e parando a Marques de Sao Vicente por causa de chopada... Parece até q o pessoal da USP tem razao.

Victor disse...

Só vim deixar isso aqui...

http://tinyurl.com/nq454s

Artigo de um professor do departamento de sociologica da USP sobre o incidente...

Anônimo disse...

Concordo com o Rafael, atitudes criminosas devem ser tratadas pela polícia e não pela reitoria da universidade.

A meu ver é função do sindicato ficar lutando pelo que acha certo, o problema é a falta de maturidade na discussão dos seus assuntos; As atitudes que tomam são as de um menino birrento que quer ficar chamando atenção. Vai levar umas boas palmadas ou vai ficar um tempo de castigo. A não ser que o paizão goste de mimar a garotada...

O ponto do Anônimo que já passou por tudo nessa vida (universidade pública, privada e internacional) é exatamente o que eu penso. Estudar em uma universidade subsidiada é um privilégio. Se o aluno não esta de acordo com as regras, então volte para a primeira casa, escolha um lugar que se adeque ao seu modo de ver as coisas e seja feliz. Não se submeta as forças do capital opressor, se forme com 42 anos na faculdade.

Anônimo disse...

"A meu ver é função do sindicato ficar lutando pelo que acha certo, o problema é a falta de maturidade na discussão dos seus assuntos;"

Aqui eh o anonimo que jah fez de tudo um pouco... Acho que nao eh bem assim.

Para entender a greve da USP, voce tem que considerar que a greve faz parte da construcao de uma narrativa que o Serra nao sabe negociar - narrativa esta inclusive engolida sem mastigar, inteirinha, ateh por um cara capaz de ler o Mas Collel!!!

Nao eh teoria de conspiracao, porque eh descentralizado.

Mas qualquer sindicalista aparelhado pelo PT sabe que se o poder executivo estadual ou municipal nao eh do PT, o PT ganha pontos se a greve for confrontacional. GANHA MAIS PONTOS AINDA SE PUDER CAVAR UNS MARTIRES TB.

Sob esta otica, fica bem facil entender porque estao querendo parar a USP com essas reivindicacoes que em sua maioria nao fazem sentido ou nao tem merito (contra o ensino a distancia? readmitir o Claudionor-atentado-violento-ao-pudor? aumento salarial completamente fora do razoavel?).

Anônimo disse...

"Artigo de um professor do departamento de sociologica da USP sobre o incidente..."

Imagina a cara de felicidade desse infeliz se algum PM despreparado ou por acidente tivesse matado um aluno. Seria um orgasmo.

Rafael M disse...

Acho muito relevante o ponto do "anônimo que já fez de tudo um pouco na vida". Essas greves são fortemente dominadas por pessoas ligadas e filiadas ao psol e pstu (predominante) e pt (uma minoria, pela minha experiência). Não tinha pensado nisso antes, mas agora que o anônimo levantou a bola, acho evidente que existe um compenente político de nível estadual e municipal muito forte nas atitudes tomadas.

Não sei se o outro anônimo é o mesmo, mas também tenho medo da possibilidade de surgimento de mártires. Acho que no caso da invasão da reitoria da UnB (aconteceu ano passado, se não me engano, e deve ter duradoentre 2 a 4 semanas) esse foi o principal motivo que levou à não utilização da polícia.

Pra exemplificar o componente político, o líder da invasão da UnB nem era aluno da universidade. E era filiado ao pstu (ou psol, sei lá).

Anônimo disse...

"Acho muito relevante o ponto do "anônimo que já fez de tudo um pouco na vida". Essas greves são fortemente dominadas por pessoas ligadas e filiadas ao psol e pstu (predominante) e pt (uma minoria, pela minha experiência). Não tinha pensado nisso antes, mas agora que o anônimo levantou a bola, acho evidente que existe um compenente político de nível estadual e municipal muito forte nas atitudes tomadas."

Sou o mesmo anonimo que jah viu tudo... Eu pensava que era obvio ululante que havia um componente politico. Por que voce acha que o PCC se revoltou em SP em 2006? Voce tem alguma duvida que vai acontecer de novo, ou algo parecido, em 2010?

oliverio andrade disse...

O ano de 1968 acabou. Importunar e prejudicar os outros, destruir patrimônio público, não é manifestação democrática. É manifestação de imaturidade, arrogância e egoísmo. Até entendo quando os pobres exigem paternalismo do Estado. O que não entendo é quando gente "estudada" faz o mesmo.