quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Meio Ambiente

Achei curioso o texto “decréscimo ou desconstrução da economia”:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15196

Crescimento econômico que destrói o meio ambiente é um assunto muito sério, afinal um planeta “saudável” é sempre desejável, precisamos do meio ambiente para sobreviver... Todavia, há algumas afirmações no texto que são realmente curiosas, por exemplo:

“Ressurge, assim, o fato indiscutível de que o processo econômico globalizado é insustentável. A ecoeficiência não resolve o problema de um mundo de recursos finitos em perpétuo crescimento, porque a degradação entrópica é irreversível”

Se for indiscutível que o processo econômico globalizado é insustentável, creio que o autor não se lembrou dos efeitos do progresso tecnológico. Acho que discutir a ausência (ou quase) de incentivos para um crescimento econômico ecologicamente correto seria mais apropriado, mas talvez seja isso que ele queira dizer com o construir de uma economia “baseada em uma racionalidade ambiental”.

3 comentários:

arnildo disse...

O artigo discute uma questão fundamental hoje - a questão ambiental-, mas os argumentos estão errados. Por ex., ele afirma:

"Ressurge, assim, o fato indiscutível de que o processo econômico globalizado é insustentável. A ecoeficiência não resolve o problema de um mundo de recursos finitos em perpétuo crescimento.

Essas teorias catastrofistas não funcionam, como já ficou demonstrado pela teoria malthusiana sobre a população. Isso porque elas desprezam o progresso tecnológico!

Existem dois pontos que ajudam a explicar o problema. O primeiro, refere-se ao caso geral, e não apenas ao Brasil. O problema pode ser visto sob a ótica do que a teoria econômica chama de "Bens Públicos" e "Externalidades". O Teorema de Coase afirma que se pode chegar a uma solução eficiente definindo-se direitos de propriedade. Dessa forma, pode-se crescer internalizando as externalidades. O mercado de crédito de carbono é uma iniciativa nesse sentido. Mas é obvio que é pouco...

O segundo, diz respeito ao caso brasileiro, e mais especificamente à Amazônia. Além do problema de "bem publico" (a Amazônia é quase uma terra de ninguém. É de quem chegar e explorar - como no caso dos Commons. Basta derrubar, tirar a madeira, plantar capim ou soja), tem ainda duas explicações adicionais. A primeira é a falta de regulação, fiscalização. As instituições são muito fracas (se não inexistentes). Aliás, a fiscalização que existe (ex. Ibama), foi cooptada. Fiscalização de fronteira, então, nem pensar. Segundo, não se tem um projeto efetivo para a Amazônia. Tudo que se fala é da boca pra fora e sem o menor conhecimento (técnico, científico). As ações efetivas são raras e se imagina (de forma simplista e ingênua) que quem é o culpado pela destruição é o caboclo (que faz uma pequena queimada pra plantar feijao pra comer). Se não tivermos um projeto pra Amazônia, ai sim, em 10 anos não teremos mais nada!

Michel disse...

Além dos pontos levantados pelo Arnildo, outro que parece ser importante é que, a medida que mais recursos naturais finitos são utilizados, a extração deles se torna mais custosa. Por exemplo, num mundo em que o petróleo estivesse acabando, a extração de petróleo seria mais cara. Afinal, seria muito mais difícil encontrar novas reservas e extrair o pouco restante das reservas já descobertas. Esse crescimento de custos seria internalizado mesmo numa situação de commons, porém, de forma ineficiente. Sendo assim, concordo com as políticas propostas pelo arnildo, tanto de estabelecimento de direitos de propriedade como de redução dos custos de transação de comércio de externalidades (como é o caso dos créditos de carbono).

Porém, o que me parece ainda menos discutido é a seguinte frase:

"Ressurge, assim, o fato indiscutível de que o processo econômico globalizado é insustentável"

Bom, é verdade que, em alguma teoria muito específica de comércio internacional (que eu não conheço), talvez, o comércio internacional aumentasse o incentivo a utilização de recursos naturais anteriormente não utilizados. Porém, a maior integração mundial pode ajudar a resolver problemas ambientais que vão além das fronteiras dos países.

Para dar dois exemplos:
1) na África, o lago Chad (dividido pela Nigéria, Chad, Níger e Camarões), que na década de 60 tinha cerca de 15 mil milhas quadradas (a notícia é da BBC), em janeiro de 2007, tinha só 500 milhas quadradas, devido a não só aquecimento global, mas também extração excessiva de água para irrigação. Países isolados poderiam sustentar essa política de extração excessíva até o lago secar, porém, a globalização poderia facilitar acordos entre os países para a redução da extração de água do lago.

2) Não temos como definir direitos de propriedade para pescaria em alto mar. Os oceanos são regiões de nenhum país e de ninguém, o que favorece a pescaria excessiva e extinção de várias espécies marinhas. Porém, a integração mundial poderia facilitar a criação de organizações internacionais que fiscalizassem pescaria em alto mar fossem criadas.

Ou seja, em primeiro lugar, o texto tem o problema de desconsiderar progresso tecnológico e fatores de custos de extração de recursos naturais. Em segundo lugar, é bem capaz que a alternativa ao processo econômico globalizado (o processo econômico não globalizado) seja também "insustentável" do ponto de vista ambiental. No final, eu num sei o que sobra de útil no artigo.

Tiago Caruso disse...

Pensei algum tempo em como responder a esse post. Agora percebo que por mais que pensasse não conseguiria responder tão bem quanto o Arnildo e o Michel fizeram.