quinta-feira, 4 de setembro de 2008

OK Computer

Tava aqui ncom insônia, aí lembrei de uma história que minha mãe contava pra eu dormir.

Há muito, muito tempo atrás , numa galáxia distânte, uma empresa chamada IBM dominava o mercado de informática (na falta de um nome melhor para o mercado). Essa empresa acreditava que esse mercado seria formado principalmente de grandes servidores. Então surgiu o microprocessador, e com ele os computadores pessoais, e com eles novas empresas  (entre elas a Apple), e todo mundo percebeu que os servidores seriam uma fatia pequena do mercado. Mas a IBM era grande, e teve fôlego para concorrer no mercado de PCs. Talvez pela familiaridade com mainframes (os grandes servidores), a IBM manteve seu foco no hardware (a parte física do computador).

Nesta mesma época surgiu uma nova empresa, a Microsoft, que fez uma aposta: o quente no mercado de PCs não seria o hardware, mas o software. Então a Microsoft assinou acordos com a IBM e várias outras farbicantes de PCs para que os mesmos fossem vendidos com seu software instalado, o DOS. E eles acertaram. Posteriormente, do DOS surgiu o Windows 3.1, que facilitou absurdamente a utilização do PC. Do Windows 3.1 surgiu o Windows 95, que melhorou ainda mais a vida do usuário.  Depois continuaram vendendo o Windows 95, mas mudando o nome no menu iniciar de 3  em 3 anos (98, 2000, XP, Vista). E nesse tempo todo, e virtude da qualidade dos programas e de artifícios para impedir a utilização de programas concorrentes, 90% dos computadores do mundo têm rodado com os softwares que a Microsoft vende.

Nesse meio tempo, em meados da década passada, surgiu a internet. E centenas (ou milhares, sei lá) de empresas surgiram, cada uma propondo um negócio novo baseado na nova tecnologia. Entre elas, o Google. O Google era um sistema de busca com um algorítmo novo e uma estratégia de marketing diferenciada. Alguns anos depois ele já era líder de mercado, desbancando o Altavista.

Aqui terminava a história da minha mãe e começa a que eu vou contar pro meu filho daqui a uns anos.

O Google logo começou a tentar diversificar sua atividade. E de uns anos pra cá o Google tem feito uma aposta: os softwares passarão a ser serviços oferecidos através da web. Entre os serviços já oferecidos pelo próprio Google estão Earth, Gmail, Docs, Mapas, Notícias, YouTube, Blogger, Desktop, Finance, Scholar e Picasa. Prestando atenção, o Gmail e o Docs são desafios diretos ao Outlook, Word, Excel, PowerPoint e Acces, enquanto os outros são novidades.

E aí que entra o Chrome. Na imprensa ficaram falando do desafio ao Internet Explorer, que detém N% do mercado, da ameaça ao Firefox, do lançamento do Internet Explorer 8, blá blá blá. Mas a notícia devia ser outra.

O navegador foi feito na medida para rodar aplicativos direto da web. E, se todo esse papo (que é chamado pelo nome horroroso de Computação nas Nuvens) colar, esquece o software, em vez de windows e toda a parafernália da microsoft instalada no seu PC, você vai precisar só de um navegador e um ponto de acesso à internet. E esquece o hardware, qualquer 486 tá valendo.

Se as pessoas vão aderir ou não deve depender da velocidade e da disponibilidade de conexões à rede e da segurança oferecida no tráfego de dados. Agora eu mesmo só adiro se fizerem um Google Matlab. 

11 comentários:

Guilherme Lichand disse...

aposto q vc procurou se existia "adiro" no dicionário

Guilherme Lichand disse...

Agora, falando sério, você já assistiu o filme 'Piratas do Vale do Silício'? É sobre a trajetória da Microsoft, e conta em detalhes essa história... inclusive o fato de que o Bill Gates comprou o DOS prontinho por uma mixaria, bem como a comida de bola monumental da IBM ao aceitar vincular um sistema operacional que não fosse próprio ao seu hardware, sem antecipar o lock-in dos usuários. Realmente, Bill Gates teve muita visão.

Sobre a capacidade do Google de substituir o padrão dominante, tenho minhas dúvidas... ainda que ofereça uma alternativa ao usuário ficar aprisionado em alguns dos softwares mais relevantes da Microsoft ao oferecer aplicativos que não dependam de plataforma, os computadores pessoais continuarão vindo com sistema operacional instalado...

Além disso, a mobilidade que o usuário deseja hoje em dia, que justificaria a utilização de softwares que não estão vinculados a nenhum sistema operacional, hoje já é alcançada através dos laptops, que também já vêm com sistema operacional instalado

Tiago Caruso disse...

O que mais me impressionou foi que a sua mãe explicou isso para você. Eu levei anos para conseguir explicar isso para minha.

Rafael disse...

Mas Guilherme, a grande sacada é que se você não precisa de programas instalados, tanto faz qual é o sistema operacional (OS) que você usa.

O que impede você de instalar outro OS (por exemplo, o linux) no seu PC é o fato de você precisar INSTALAR e RODAR o word, o excel e o matlab pirata na sua própria máquina. Mas se esses programas forem oferecidos através da internet, acabou o impedimento.

Rafael disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rafael disse...

Eu olhei adiro no dicionário. E aposto que você também procurou, hehehe.

Tiago Caruso disse...

Esse seu post me lembrou um outro que eu pensava em escrever sobre complementaridades estratégicas.

Muitas pessoas argumentam que a única razão pela qual continuamos usando windows e não Mac é porque a sociedade se encontra presa em um equilíbrio ruim. Isso acontece porque o grande número de usuários já existentes do windows faz com que o custo de um indivíduo comprar um Mac seja maior. Será que isso pode de alguma forma acontecer com o Chrome?

Na verdade eu queria postar sobre diferentes casos de complementaridades estratégicas. Uma conclusão principal de se trabalhar com esses efeitos é que a história pode importar. O equilíbrio de hoje pode ser completamente determinado por ações de milhares de anos atrás.

O caso anedótico onde isso pode ocorrer é com foguetes espaciais. Reza a lenda que a todos os departamentos da NASA haviam aprovado a idéia de aumentar o diâmetro dos foguetes, só o de logística vetou o projeto. Quando perguntaram ao seu responsável o por quê, a resposta foi simples: se aumentassem o diâmetro, algumas peças do foguete não passariam pelo tunel do trem que as transportava até a base.

Curiosos, alguns cientistas foram tentar descobrir o que havia determinado o diâmetro do tunel do trem. Descobriram que esse era determinado pelas bitolas das locomotivas do século XIX. Mas cientistas não param por aí. Descobriram que o tamanho das locomotivas fora determinado pela largura das estradas inglesas e essas, por sua vez, eram determinadas pelas estradas romanas. Já a largura das estradas romanas era exatamente aquela que cabiam dois cavalos separados pela estrutura de uma biga.

Ou seja, os keynesianos ficam felizes em acreditar que a mais moderna tecnologia já construída pela humanidade é determinada pelo tamanho da bunda do cavalo romano.

Bernard Herskovic disse...

Achei essa estratégia brilhante, de certa forma se atenuam os impedimentos da complementaridade dos programas com o sistema operacional e os eventuais equilíbrios ruins ficam mais difíceis de ocorrer. Se realmente a situação atual for de um equilíbrio ruim (as pessoas usam determinados programas mesmo com a disponibilidade de outros mais eficientes, porque têm o Windows ou outro OS) pode haver uma forte migração para esse navegador mágico que faz tudo (mesmo o matlab) e o resto vocês já sabem... o Google dominará o mundo (heheh).

Rafael disse...

http://www.economist.com/business/displayStory.cfm?story_id=12039759&source=features_box2

E a data do meu post é estritamente anterior à da divulgação da matéria!

lucas disse...

Eu acho q cloud computing faz muito sentido pelo menos no que concerne o armazenamento de dados. Muito mais confiável, back ups automáticos, etc. Mas eu nao confio tanto assim e sempre vou querer ter pelo menos algum tipo de back up em um harddisk q fique comigo.
A qualidade atual dos substitutos do office (gloogle docs) ainda nao chega nem perto. Não dá pra fazer nada sério na planilha de lá. O único uso realmente excelente é pra tarefas mais simples mas de produção coletiva, como a atualização das contas do nosso apartamento.
Eu acho q estas soluções on-line podem gerar uma reestruturação produtiva importante Permite a emergencia de pequenas empresas onde antes não havia espaço devido e eliminação de um custo fixo: o setor de tecnologia da informação. Não é necessário um servidor de email, nem pagar por programas proprietários. Precisa de um sistema de cadastro on-line, vc faz usando um programa on-line, gratis, nao precisa saber programar e é bastante confiável. Dimninuindo os custos pra gerir informação, as empresas podem ser menores e se focar no que realmente importa para o negócio.

Theo disse...

Vejam isso:

http://www.economist.com/science/tm/displayStory.cfm?source=hptextfeature&story_id=12081445

é um sistema de armazenamento online inteligente. Muito interessante, pois você pode trocar espaço no seu HD pessoal por um espaço virtual.