sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Quem ta cheirando? E se tapasse o nariz?

Mudando de assunto, vou olhar para a questão da responsabilidade do usuário de drogas pelo atual estado de violência nas nossas cidades. Capitão Nascimento já expôs o argumento, mas acredito que há duas questões interessantes: 1) de onde vem a demanda e 2) sem tal demanda a violência cessaria?

Em relação à primeira questão tenho apenas dúvidas. Caramba, o tráfico tem um porte (controle geográfico, armas, etc) que só pode ser financiado por muita droga sendo consumida. É verdade que é a cocaína e não a maconha que financia o tráfico? Mas cadê? Como algo uma demanda tão grande pode ser praticamente invisível (a de macronha é razoavelmente visível). Alguém pesquisa/entende a “economia do tráfico” no Brasil?

A segunda indagação é contrafactual e supositória (sic.). Alguns dizem que se o tráfico acabasse, i.e. por obra de deus ou da legalização não houvesse mais demanda, a violência pioraria porque eles diversificariam seus negócios para outras atividades criminosas (o que serve de justificativa pro sujeito não parar de consumir). Pra mim isso não faz sentido. Pode ser que até ocorresse no curto prazo, mas eventualmente a “empresa” ia quebrar. Apenas um setor tão lucrativo quanto o tráfico permite tal nível de armamento, funcionamento de uma organização com tanto risco (tomada por grupos rivais, polícia), e controle. Os outros setores da atividade criminal são muito menos lucrativos e mais perigosos: bancos têm guardas, assaltar na rua envolve riscos, seqüestros são perigosos de efetuar e difíceis de gerir. Lotações (muitas no RJ são controladas pelo tráfico) são só uma forma de transformar um estoque de dinheiro sujo em um fluxo de dinheiro limpo. As milícias, que são uma resposta a violência do tráfico, tb perderiam sua razão de ser. Por isso acho que o que ocorreria seria que sem os lucros do tráfico a capacidade de efetuar tais atividades ia simplesmente minguar. Vocês não acham?

22 comentários:

Rafael disse...

Olha o relatório de drogar da ONU. O consumo de maconha é maior, mas o de cocaína e ecstasy é enorme também: http://www.unodc.org/documents/wdr/WDR_2008/WDR_2008_eng_web.pdf

Maconha é droga de menino, cocaína é droga de adulto. Menino não tem reputação a zelar, adulto tem. Talvez por isso você tenha menos notícia de usuários de cocaína do que de usuários de maconha.

Esse argumento de que o fim do tráfico seria irrelevante porque os caras migrariam para outras atividades eu não vou nem comentar.

Anônimo disse...

Eu tenho um ponto:
Se um indivíduo deixa de consumir drogas, o impacto desa decisão individual é quase nula, ante os benefícios que ele julga ter. É uma situação similar à tragédia dos comuns.
Daí, o que eu proporia é se realmente é eficiente do ponto de vista econômico o governo gastar parte dos recursos do contribuinte para tentar evitar que quem quer dar uma cafungada faça isso. E que obviamente não consegue. Acho que sequer o nem um pouco saudoso regime soviético seria capaz de evitar que a Amy Winehouse se autodestruísse, por exemplo.
Não seria o caso de simplesmente legalizar as drogas? Em relação ao Álcool, a Ambev não é melhor que o Al Capone? Por que isso não poderia ser feito com as outras drogas? Será que o número de pessoas que deixam de consumir drogas por elas serem ilegais justifica todo o montante investido no combate ao tráfico? Se essa demanda fosse atendida por empresas legais, sumiria o dinheiro do tráfico.

Ah, e quanto às outras atividades, acho que os traficantes virariam políticos... e brigariam com as quadrilhas já existentes neste setor.

Tiago Caruso disse...

Comentário de trás pra frente.

Ponto2) Concordo com vocês. Não faz nenhum sentido achar que a rentabilidade seria a mesma.

Ponto 1) Acho legal estudar economia do tráfico. Eu imagino que o mercado de criminosos deva ser bem competitivo (baixos custos de entrada, produtos homogênos e etc...). Ainda de forma supositiva, acredito que rentabilidade entre tráfico e roubo reflita aversões ao risco dos bandidos.

Agora, a aplicação de políticas públicas desse ponto é nula. Propor que as pessoas não consumam drogas como forma de combater o tráfico é tão útil quanto propor que as pessoas não façam sexo para evitar a aids.

Ernesto disse...

O argumento é válido, mas falha por não tratar a real questão por trás do tráfico. A primeira questão que se deve coloar é se é realmente benéfico acabar com o tráfico de drogas e para quem se dá esse benefício. A violência é um resultado da desigualdade e afirmar o contrário seria afirmar que não vivíamos em uma sociedade violenta 100 anos atrás. Ressalte-se aqui que eu falei em desigualdade. Tratar o tráfico como origem e protelador único dessa violência é tratar um particular como universal. O tráfico é responsável por, de um lado, possibilitar taxas de lucro elevadas que permitem inclusive que os grupos que o controlam se armem em quantidade e com qualidade, e por outro de manter esses mesmos grupos capazes de movimentar grandes quantidades de dinheiro marginalizado. O tráfico aliás é um fortíssimo contensor social, seja pela aparência de ascensão social contida nele (que se perde em meio à violência e o estilo de vida consumista que acompanha o imaginário de um ex-excluído da sociedade do consumo), ou pela sua capacidade de manter a violência regionalmente localizada. Pois apesar dos horrores aqui manifestados, não creio que alguém presencie corriqueiramente troca de tiros entre polícia e bandidos, ou entre grupos rivais na Vieira Souto, ou na Avenida Paulista. O que ocorreria com o fim do uso (o que aliás me parece fazer pouco sentido, como exporei a seguir)? Bom, como o Rafael disse que não comentaria o movimento de ex-traficantes para outras atividades criminosas não vou me extender nesse assunto, só gostaria de dizer que se, como o Lucas afirma, o risco de traficar drogas fosse substancialmente menor do que o de assaltar bancos ou seqüestrar, certamente os caras não estariam tão bem armados. O problema na verdade é que você tiraria uma fonte profícua de renda de um lugar que já padece de sua falta. Ninguém sonha em virar aviãozinho para daí ascender dentro do tráfico e finalmente, um belo dia se tornar um próspero dono de boca, mas as pessoas, para satisfazer suas vontades, sejam elas do estômago ou da fantasia precisam ganhar dinheiro. Não se trata de afirmar que são pessoas sem escolha, mas de qualquer forma, alguém pode escolher, por exemplo, não trabalhar, ainda que por um salário mais elevado, na indústria do tabaco por questões morais, entretanto quando essas questões morais não se interpõem tãopouco faz sentido criticar o indivíduo que quis conseguir uma maior remuneração. É uma simples extensão dessa análise tratar do rapaz que escolhe traficar ao invés de engraxar sapatos no centro. O fim do tráfico tem como conseqüência a exacerbação de outro tipo de violência, muito menos óbvia do que trocas de tiros entre determinados grupos. Ficar apontando as conseqüências do desaparecimento da atividade econômica e suas divisas não me parece necessário. De qualquer forma, a própria idéia de militância por consumo, sua viabilidade e legitimidade me parece exagerada. Primeiro porque para mim ou para quem está lendo parece bem razoável abrir mão do uso de cocaína, mas bastante esdruxúlo para um usuário, seja ele dependente ou somente eventual. Para efeito de exemplo simplesmente reproduzirei argumentos semelhantes ao de culpar o usuário pela violência. Toda a vez que você coloca gasolina no seu carro tem iraquiano, georgiano, americano, etc morrendo por causa disso. Quando você compra soja para proteger os animaizinhos de um latifúndio no meio do Mato Grosso, você está contribuindo para a concentração de terras que gera violência nos campos brasileiros. Toda vez que você compra um tênis da NIKE tem crianças em regime semi-escravo trabalhando para que você realize sua fantasia e fique um pouquinho mais próximo do Ronaldinho Gaúcho. Certamente o ser humano usa cocaína a mais tempo do que tênis com amortecedores e gasolina. A real questão é que vivemos em um mundo cujo modo de produção é extremamente violento. O que salta aos olhos no tráfico de drogas é a ilegalidade, porém há uma complicada rede de interesses por trás dessa ilegalidade que, como vimos, serve de contensor social e de fonte de renda para muita gente (nesse caso tanto pobres como ricos). Finalmente, fica um comentário do que pra mim é o principal problema relacionado a drogas e que fica esquecido no meio dos tiros toda vez que se trata do assunto que é saúde pública. Engraçado que esse problema, extremamente sério por sinal, acabe sempre sendo esquecido tanto pelos 'furiosos' combatentes do tráfico quanto por aqueles que preferem dar traços mais humanos também aos 'bandidos'.

Anônimo disse...

O maior mérito desse post foi produzir, ainda que incidentalmente no comentário acima, o maior exemplo de prolixia desde Bernardo Guimarães.

Guilherme Lichand disse...

Como um economista enxerga a questão do tráfico de drogas:

(i) a demanda por um bem viciante tem elasticidade média bastante baixa em relação a preço, o que permite a um monopolista extrair praticamente todo o excedente de troca; daí a fonte de lucros extraordinários associados a esse mercado. Definindo a dimensão do mercado relevante como regional, os monopolistas locais têm à sua disposição os mais variados tipos de barreiras à entrada para deter potenciais entrantes.

Implicações de (i): para tornar o negócio do tráfico menos rentável, faz sentido estimular a transição de viciados para drogas menos viciantes (esse argumento é popular entre economistas que debatem a questão, ver, por exemplo, DA SILVA, Marcos F. G.), ou, alternativamente estimular a competição na provisão desse bem (a liberalização é apenas uma maneira de atingir esse objetivo);

(ii) Os lucros extraordinários advindos do tráfico não se distribuem equivalentemente ao longo da cadeia produtiva. A montante, o produtor se depara com um mercado potencialmente competitivo (e.g., no caso do ópio, a produção de papoulas não é uma atividade ilícita). A jusante, há oferta quase ilimitada de 'aviõezinhos' e, genericamente, do baixo escalão do tráfico. É por isso que Steven Levitt analisa em artigo (e em um capítulo de Freakonomics) porque muitos traficantes ainda moram com suas mães, se o tráfico movimenta tanto dinheiro. Tendo acesso aos dados de contabilidade de uma gangue de traficantes nos EUA, o autor observa que apenas uma fração bastante restrita da estrutura do tráfico, a alta gerência, se apropria dos lucros extraordinários associados a essa atividade.

Implicações de (ii): para desarticular a estrutura de poder do tráfico, tornando a atividade menos rentável, é possível estimular a competição pelas posições de alta gerência, aumentar os custos para quem ocupa essas posições (algo que supostamente a polícia - ou pelo menos o cap. Nascimento - tenta fazer, ameaçando sua sobrevivência a cada momento) ou diminuir a oferta à montante e/ou à jusante.

Como concentrar o mercado à montante pode significar simplesmente tornar ainda mais complexa a estrutura de poder do tráfico, talvez a solução mais interessante (com a vantagem de ainda conciliar valores que a sociedade compartilha) seja diminuir a oferta de 'aviõezinhos' e membros do baixo escalão. Como fazer isso? Oferecendo-lhes oportunidades que tenham valor esperado ao menos tão grande quanto o valor esperado de sua trajetória no tráfico.

Tiago Caruso disse...

Apenas complementando o que o Guilherme escreveu. O tráfico funciona como o que alguns economistas chamam economia tipo mina (de minérios não de mulher). Nos EUA, assim como no Brasil, quando descobriam ouro de aluvião havia uma entrada desproporcional de trabalhadores no mercado, a corrida do ouro. Essa entrada era desproporcional porque essas pessoas só sabia ou apenas se focavam nas histórias de sucesso na procura por pepitas, assim subestimavam a probabilidade de fracasso da empreitada.

Varios tipos de profissão se encaixam nessa categoria: jogadores de futebol, atores e também empregados do tráfico. Assim sendo, talvez não seja necessário aumentar muito o valor esperado das oportunidades alternativas dos "aviõezinhos" (leia-se ir para escola). Ajudariam muito políticas que dessem enfâse às trajetórias de bons alunos, como prêmios nas provas padronizadas ou possibilidade de acesso às escolas públicas de alta qualidade que já existem.

Anônimo disse...

As Lotações são controladas pela milícia, diferente do tráfico. O ponto é olhar p/ o mundo real e entender que o problema é mto pior do q pensam. O dinheiro do tráfico sustenta policiais e essa grana escorre até o gabinete do governador. Essa questão de estimular o uso de drogas menos viciantes é absurda:"Amigo, se for pra se drogar, fique só na maconha.".
Mtas crianças ingressam no tráfico buscando ajudar suas famílias pois o q eles recebem é bem mais do q a família consegue arrecadar no mês. Além disso, moram com os pais pq são crianças ou adolescentes da mesma forma q vcs foram e moraram com seus pais, que a princípio não pensam em "fazer carreira" (em geral né) mas com o passar do tempo, caso não sejam mortas, entram em um caminho sem saída.
A polícia na minha opinião tem plenas condições de ocupar as principais áreas do tráfico mas não tem incentivo p/ isso. Salários ridículos e quase nenhum benefício p/ os mesmo são alguns motivos. Vejam q não é dificíl, até pq as milícias conseguem ocupar mtas favelas antes dominadas pelo tráfico......

Fred disse...

Tema pertinente, discussão interessante. Parece que para economistas ortodoxos é mais fácil explicar o tráfico de drogas do que a crise financeira atual.
Utilizando os argumentos neoclássicos abençoados da PUC-RJ, o que falar?
Hmm...os mercados não foram tão eficientes, mas foi um mero desvio devido a assimetria de informações e moral hazard?
Outra tentativa...o governo influenciou o comportamento privado e, se não tivesse intervido, a alocação de recursos pela mão invisível resolveria essa crise com custos reduzidos?
Não encontro explicação, vocês podem ajudar?
Fred

Anônimo disse...

Fred Flinstones, vindo diretamente da Idade da Pedra, veio aqui ironizar os ortodoxos. Grato pela ilustre presença de qualquer forma!

Guilherme Lichand disse...

estou curioso para ouvir a explicação heterodoxa sobre a crise... provavelmente algum problema no supermultiplicador sraffiano

Rafael disse...

Tem que saber separar as coisas. A crise não apresenta nenhum desafio para a teoria econômica, na minha opnião. Mas apresenta um desafio enorme para a direita e liberais em geral.

Anônimo disse...

Esse Fred mostra conhecimento sobre o que é ensinado na PUC tanto quanto a Carla Perez mostra conhecimentos de Física Quântica avançada.

Michel disse...

Com relação a segunda pergunta (o que ocorreria com a violência caso o tráfico fosse legalizado), é importante lembrar que os drogados muito viciados se endividam para comprar drogas. Ou seja, existe um risco moral inerente a compra de drogas. Uma das formas de se superar esse problema é via desenvolvimento de relação com o cliente. No final, o aparato de violência pode ser importante na criação de relação e superaçao desse risco moral (via proteção de áreas de vendas e punição de clientes que não pagam).

Com relação a legalização e rents do tráfico: só acrescentaria (1) demanda por bens viciantes é inelástica a preços correntes, mas elástica a "preços permanentes" (Becker e Murphy), o que pode alterar, num contexto dinâmico, os rents de concorrência vs. monopólio; (2) pode existir uma demanda social por drogas (alguém consumir drogas porque os amigos consomem...para parecer "legal") o que faria a legalizaçao aumentar o mercado total de drogas, e potencialmente, os rents do tráfico. De novo, não sei se todos esses fatores são relevantes empiricamente.

Anônimo disse...

Com uma crise estorando la fora vem-se posts com esse papinho de drogas. vem fala de IPEA e o kcete a 4 mas crise q eh importante nd

O pior é que (principalmente se o cara mora no rio) ele mostro ser um completo alienado.

Qd se tem uma medida mais energica impedindo entrada de drogas logo eles fecham o comercio dos entornos, causando panico e preju. O governo nao pode perder popularidade e eh obrigado a ceder. Dai vem a "politica da boa vizinhança", voce vende drogas e nao assalta por aki e eu nao impeço o trafico.

O trafico ja tomo dimensoes mt grande, vai ser um deus nos acuda se liberalizar.. eles vao assalta td, fechar comercio e td mais... so no curto prazo? provavel que sim... mas manda as pessoas aguentarem um curto prazo de terror, perda de bens, mortes etc...
favela eh terra de ningem, o governo caga pra eles e ai o poder paralelo se instala, eh sistemico isto.

e tem mais :
"nao conseguem diferenciar
banqueiros e bancarios
mega traficantes de meros funcionarios"

qm ganha msm com o trafico nao eh o chefao do morro.

E tem mais, desde que o mundo eh mundo a procura do ser humano e ate msm de animais por alucinogenos existe...

Esse pessoalzinho da PUC alem de ter que aprende mt economia ( a real, nao o paraiso da visao classica e do robinson crusoe) e tb com a vida.

So pra finalizar
"É verdade que é a cocaína e não a maconha que financia o tráfico? Mas cadê? Como algo uma demanda tão grande pode ser praticamente invisível"

ta falando serio??? Que mundo vc vive rapaz?

Abraços

Roberto D

Galego disse...

Agora vem o Roberto D flar que não pode combater o tráfico por medo que eles fechem o comércio.
Quer dizer, agora é para deixar a população refém desses marginais por medo de deixá-los incomodados...
Ainda bem que o Uribe não pensa assim. Posso afirmar que, no meio da estupidez dos caudilhos sulamericanos atuais, ha um oásis de lucidez e coragem!

Tiago Caruso disse...

Prezado Roberto D,

eu lhe rogo. Você poderia nos dizer mais sobre a sua formação? Qual curso, qual universidade? Assim teremos motivo de riso por bastante tempo. Dê-nos essa alegria.

Anônimo disse...

Jason

Em microeconomia, aprendemos que a curva de demanda se encontra com a curva de oferta em um ponto de equilíbrio. No mercado de drogas o ponto socialmente ótimo está bem abaixo do ótimo de mercado devido às externalidades envolvidas. O que incomoda é que o governo não é eficiente na intervenção e não consegue levar o mercado para um ponto socialmente desejável. Gostei do post do Ernesto pois ele menciona a questão da saúde, onde a externalidade negativa gerada pelo tráfico se torna clara.

Acho isso muito legal, mas o meu nome é Jason, e quero sangue. Sangue de todos que fomentam essa máquina de matar que é o tráfico carioca! Isso aqui é uma guerra civil.

O público está ansioso para ouvir uma opinião sobre a crise global.

Anônimo disse...

tiago,

Se vc me disser o que tem de tao estupido no que eu falei eu te digo.

galego,

nao. Mas a proporçao que deixaram tomar nao da pra bate de uma vez.
Os traficantes sao melhor armados que os policias pra se ter ideia.
A questao nao eh deixar a populaçao refem deles. A gente ja ta!!!! Se vc liberaliza vc pode compra em qlq farmacia, e ai os traficantes vao perder dinheiro.
Mas eles tem armas nas maos e necessitam de dinheiro.
Vao estoura td no asfalto e nao vai ter policia que segure. Se bobiar nem exercito. Ate mesmo pq sao inumeros morros e favelas pelas cidades

Nao to defendendo os traficantes e bandidos. So nao to com uma visao bitolada de um menino mimado da zona sul de 10 anos que nunca colocou os pes na ruas e foi criado a leite com pêra pela a vo num apto. hehehehe Igual ao dono do post.


Outra coisa:

Cara, so ouço falar de restaurantes que nao cobram dinheiro e trafico de dorgas pelos cantos.. o pessoal so fala disso nas rodadas de discussoes, que coisa chata.
deve ser pq nao tem crise nenhuma por ai

Roberto D

Galego disse...

É, Roberto D,

o importante é não ter a cabeça mimada de garoto de 10 anos da zona sul. Principalmente quando o leite com dado pela avó vem acompanhado com uma camiseta do Che Guevara comprada em alguma loja de grife.
De resto, continuo no aguardo para saber como a Colômbia conseguiu amenizar o problema do tráfico em cidades como Medellin, mesmo com os cartéis de lá tendo o poder de assassinar políticos, mas o Brasil seria incapaz de fazer o mesmo com os marginais dos morros cariocas.

lucas disse...

Sou o autor do texto e ainda não comentei os comentários. Então alguns esclarecimentos:
Em primeiro lugar nunca propus que o acabar com o tráfico reprimindo a demanda fosse uma alternativa viável. Também não sou um moralista. Apenas propus um raciocínio hipotético para tentar iluminar a questão. E também acho que o uso de drogas deve ser visto como problema de saúde pública.
A despeito disso acho, sim, que o consumo responsável tenha certo poder de mudança, é por isso que a Nike não contrata mais crianças. Concordo que isso fará pouca diferença muitos usuários, mas a consciência de estar alimentando o tráfico pode sim mudar a decisão de consumidores eventuais, que estão na margem entre consumir e não consumir.
O comentário do Roberto D é infantil, mal escrito e com argumentos ad homini. Mas entre outras coisas (um tom de apologia da violência, superestimação da capacidade do tráfico ) reflete o tipo de atitude derrotista e conformista que mantêm o Rio no buraco e legitima péssimos governos. É claro que desarticular tráfico seria difícil, mas não fazer nada é pior ainda, especialmente pra quem mora na favela (por acaso perda de bens, mortes, etc. não ocorrem em menor escala mas consistentemente ao logo do ano?). Exigiria um programa bem articulado, tropas federais e coordenação com programas sociais. Parece tão impossível como parecia o plano de recuperação de Diadema há 8 anos.
Ernesto, como já conversamos pessoalmente, acho sim que a violência era muito menor há 30 anos ou 100 anos. Acho que a desigualdade gera violência, mas com o tráfico ela muda de dimensão, é potencializada. De faca para bala. Também discordo da tese de que “o tráfico impede que o morro desça” como já conversamos, mas não há espaço para isso aqui.

Rafael Magri disse...

Roberto Dinamite,

Se com assuntos chatos você não pára de comentar no blog, se alguém postar alguma coisa que te interessa eu tenho medo de você escrever um livro refutando cada argumento.